Todos os alimentos que compramos nos supermercados trazem consigo uma data, que diz respeito ao seu tempo de vida. Mas as indicações não são todas iguais. Ou seja, se deita fora um produto assim que chega ao dia marcado, é muito possível que esteja a desperdiçar comida — e dinheiro.

A APED — Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição, que acaba de lançar uma campanha cujo lema é “Saber a diferença, faz a diferença” — com o apoio da Comissão Nacional de Combate ao Desperdício Alimentar e da Câmara Municipal de Lisboa — indica que 42% do desperdício alimentar global é causado pelo consumidor doméstico.

Na origem deste número poderá estar o facto de as pessoas não saberem ler a data de validade do produto, uma vez que, de acordo com um inquérito da União Europeia, só 47% dos inquiridos soube o significado de “consumir de preferência antes de” e apenas 40% demonstrou entender a expressão “consumir até”.

Vamos, então, ao significado destas expressões nos rótulos.

“Consumir de preferência antes de”: a APED diz que a frase se refere à “data até à qual o alimento conserva as propriedades específicas”. Ou seja, o alimento “pode ser consumido após essa data, caso sejam respeitadas as regras de conservação”. Se ainda assim tiver receio, confirme se está bom, cheirando.

“Consumir até”: de acordo com a mesma associação, a frase diz respeito á “data após a qual o alimento já não deve ser consumido.”

Anna tirou esta comida toda do lixo — estava “estragada”

A nutricionista Catarina Nunes até vai mais longe. “As datas são só uma previsão. Um alimento não passa a ficar estragado a partir da meia-noite daquele dia”, diz à MAGG. A especialista indica alguns alimentos em que é fácil avaliar se está em condições de ser consumido: “Os iogurtes e os lacticínios é fácil de ver. A tampa incha e cheira a azedo, caso esteja estragado”, explica. Caso contrário, e tendo sido bem conservados, é possível que eles durem muito mais. “Já comi iogurtes passado um mês da validade e estavam bons.”

A nutricionista indica ainda que aquilo que pode acontecer é que, passada aquela data, os alimentos percam algumas propriedades, mas isso não significa que nos façam mal. Dá o exemplo dos cereais e das bolachas: “Têm prazo de validade de dois ou três anos, caso bem conservados. Passado esse tempo, é normal que fiquem mais moles, mas isso não significa que estejam estragados.”

Com o peixe e a carne já é diferente. Chegada a data referida na embalagem, e tendo sido conservado apenas no frigorífico, é melhor não arriscar. “Podem ter bactérias e isso é mais perigoso“, diz. “Quando compramos embalado, se conservarmos no frigorífico, o melhor é comer logo. Se forem congelados, então aquela data já não tem de ser seguida, por dura mais meses.”

Esta campanha de sensibilização para a redução do desperdício alimentar vai estar presente em 1.200 lojas e plataformas online, como o Aldi, Continente, DIA-Minipreço, El Corte Inglés, Intermarché, Ikea, Jumbo e Pão de Açúcar, Lidl, Novo Horizonte e Pingo Doce.