A matemática por detrás das aplicações de dating

Christian Rudder, um dos fundadores do popular site de namoro OKCupid, explica a matemática por detrás destas aplicações.

Duas pessoas que correspondam 50% devem ser mais compatíveis do que outras que têm compatibilidade de 0% a 100%

Longe vão os tempos em que era fácil encontrar o amor. Um amigo de um amigo, um colega ou um estranho que metia conversa numa livraria, não faltavam opções para descobrir uma relação a longo prazo. Hoje está toda a gente nas aplicações de dating — o que aumenta a oferta, é verdade, mas também a dificuldade em encontrar a pessoa certa. No meio de tantos perfis, como saber se não estamos a desperdiçar tempo com a pessoa errada?

E assim se levanta a seguinte pergunta: como é que uma aplicação pode saber se somos compatíveis com alguém? Christian Rudder, um dos fundadores do popular site de namoro OKCupid, explica tudo numa TED-Ed, uma plataforma que reúne lições que merecem ser partilhadas.

Como sempre, a resposta está num algoritmo. Christian Rudder explica que existem três fases.

  1. Responder a perguntas sobre nós/os nossos gostos (ex: gostas de chocolate?);
  2. Responder aquilo que gostaríamos que o outro também respondesse (ex: querer que o outro também goste de chocolate, tal como eu);
  3. Dizer o quanto determinada pergunta importa na nossa vida/tem peso no nosso dia a dia (ex: para mim é muito importante que o outro goste de chocolate).

É certo que algumas perguntas dizem mais sobre uma pessoa do que outras. Por exemplo, como explica Christian, saber o peso que a política tem na vida de alguém comparativamente a se gosta de filmes de terror, diz mais sobre essa pessoa.

É aqui que entra a matemática. As contas são feitas com base numa escala: Irrelevante (0 pontos); Pouco importante (1 ponto); Mais ou menos importante (10); Muito importante (50); Obrigatório (250).

De seguida, o algoritmo faz dois cálculos simples. O primeiro é saber quanto é que as respostas do outro nos agradam, ou seja, quantos pontos conseguiu na nossa escala. O A é um utilizador da aplicação e o B outro. Se numa pergunta tivermos respondido que era muito importante essa questão, e se B tiver acertado, vale-lhe 50 pontos.

Se na segunda pergunta tivermos respondido que era pouco importante, a resposta de B já só vai valer um ponto e B não acertou. Assim, as respostas de B valem 50/51 pontos possíveis, uma satisfação de 98%.

O segundo cálculo do algoritmo é saber se as nossas respostas satisfazem B. Para a primeira questão B só atribuiu um ponto, e dez à segunda. Desses 11 (1+10) ganharam 10, acertando na segunda resposta um do outro.

As respostas deram 10/11 o que resulta numa percentagem de 91% de satisfação para B.

O passo final é pegar nas duas percentagens de compatibilidade e obter um número para os dois. Para conseguir o resultado final, o algoritmo multiplica as pontuações, depois calcula a raiz de “n” (número de perguntas). Como neste exemplo apenas falamos em duas perguntas, é possível alcançar uma percentagem de compatibilidade igual à raiz quadrada de 98% x 91% = 94%.

E, assim, surge a percentagem de compatibilidade do quão bem nos vamos dar com a outra pessoa. Esta fórmula é designada média geométrica e é uma excelente forma de combinar valores que apresentam grandes variações e representam propriedades muito diferentes. É, por isso, ideal para a compatibilidade romântica.

Duas pessoas que correspondam 50% devem ser mais compatíveis do que outras que têm compatibilidade de 0% a 100%, pois o afeto tem que ser mútuo.

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