“Às Cegas”. O novo sucesso da Netflix poderia ter um final bem mais perturbador

No livro que inspirou o filme, a história termina de forma diferente e mais sombria. Atenção: este artigo contém spoilers.

O mais recente sucesso da Netflix também integra no elenco a atriz Sarah Paulson e o ator John Malkovich

Memes e piadas acompanhadas por um frame da atriz Sandra Bullock de olhos vendados invadiram as redes sociais. A imagem é referente a “Às Cegas”, o filme de terror e suspense que já foi visto por mais de 45 milhões de pessoas desde que a Netflix o disponibilizou na plataforma de streaming, a 13 de dezembro.

Inspirado no livro de Josh Malerman, com o mesmo nome, a história segue Malorie (Sandra Bullock) a tentar sobreviver num mundo apocalíptico: o planeta foi invadido por monstros (que o espectador nunca vê), que levam a que se cometa suicídio quando se olha para eles. Ou se tornem psicopatas — também há quem tente a todo o custo fazer com que os sobreviventes olhem para aquilo que não pode ser visto.

Continuemos: a personagem principal fica presa numa casa com vários estranhos, até fugir com as duas crianças que entretanto nasceram (uma é sua e outra de uma das pessoas que viva na casa e morreu). Nesta jornada até um sítio seguro — o único de que ouviu falar —, a personagem principal é obrigada a fazer uma perigosa travessia num rio, dentro de um barco a remos, sempre de olhos vendados.

Apesar da tensão e do horror no decorrer da narrativa, o final escolhido pela realizadora Susanne Bier foi bastante otimista: Bullock e as duas crianças chegam a uma espécie de santuário, que é uma casa para pessoas cegas (não conseguem ser afetadas pelo monstro, porque não veem), onde várias pessoas se refugiaram. Na última cena, as personagens surgem num jardim, onde se ouvem vozes de crianças e adultos felizes e protegidas pelas plantas e pelo som dos pássaros.

Mas o final do livro é bastante diferente. Não é terrífico, mas é bastante mais perturbador: chegando ao santuário, Malorie e as crianças percebem que todas as pessoas que lá estão tinham ficado cegas de propósito, de modo a que não pudessem estabelecer contacto visual com os monstros.

Há um motivo para esta mudança. “Não estou particularmente interessada em que o público saia do cinema ou do seu próprio ecrã com um ponto de vista completamente sombrio”, explicou a realizadora Susanne Bier ao “Polygon”.

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