Há músicas que entram na nossa cabeça prontas para fazer dela casa. Passam horas e continuamos a cantarolá-las, muitas vezes sem que nos apercebamos disso. É aborrecido, principalmente quando é uma daquelas que nem gostamos assim tanto. E agora com o Natal? Exato. É mesmo chato.

Estes trechos de músicas que continuam repetitivamente na nossa mente designam-se de “earworms” e há quem os estude. Philip Beaman encontrou maneiras de ajudar a desaparecer esta repetitiva memória musical.

O professor de psicologia experimental na Universidade de Reading, no Reino Unido, começou por associar esta problemática ao psicólogo Dan Wegner e à sua teoria de processos de controlo mental. “Nos próximos três minutos podem pensar no que quiserem. Não pensem é num urso branco”, disse Wegner à sua plateia, sabendo que o animal ia acabar por se instalar em diversas mentes no tempo que estipulou.

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“Para terem a certeza de que não estão a pensar na música, involuntariamente vão pensar nela e concluir que não era o suposto”, afirma Beaman. “É assim que entra em loop na cabeça e tentar livrarmo-nos dela é o que a mantém lá“, continua.

Aqui ficam as sugestões do professor que todos esperemos que funcionem. Ainda para mais com a chegada do Natal e aquelas melodias que insistem em repetir-se na nosso cérebro. O melhor é mesmo nem dar uma chance ao tema “A todos um bom Natal”.

Ouvir uma música diferente

Philip Beamen acredita que se há uma canção presa na mente, ouvir outra diferente pode ajudar. Como não conseguimos ouvir duas músicas ao mesmo tempo, cantar em voz alta uma outra até acaba por ser mais eficaz.

Mascar pastilha

Os processos para estas duas atividades coabitam na mesma região do cérebro e se tentarmos fazer as duas coisas ao mesmo tempo, alguma delas terá que ceder. É como tentar usar o braço esquerdo para fazer duas coisas em simultâneo, justifica.

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Ouvir o “earworm” do início ao fim

Esta teoria foi apresentada por outros psicólogos, é designada de “Zeigarnik effect” e diz que ouvir a música completa dá-lhe um desfecho, acabando por parar. Mas Beaman discorda. “Depois de ouvir a faixa completa, não há nada que impeça de pensar nela de novo”, argumenta.

Fazer sudoku

Tal como tentar cantar duas músicas ao mesmo tempo, fazer sudoku e pensar na música ao mesmo tempo está perto do impossível, desde que se escolha o jogo certo.

“Se for demasiado fácil as mentes começam a divagar e facilmente se perdem na canção, tal como acontece caso seja muito difícil. O ideal é aquele que absorve a pessoa”, afirma o professor.

Tentar esquecer naturalmente

Obrigarmo-nos a esquecer pode fazer pior, mas se não lhe dermos muita importância ela acaba por sair naturalmente.

As músicas repetem-se porque as achamos irritantes e tentamos bani-las. Mas é algo tão difícil quanto não pensar no urso de Wegner. Desta forma, em vez de forçar, relaxar é uma opção muito mais viável.