É uma espécie de mistura entre “Telerural”, o antigo noticiário satírico e meio surreal que passou na RTP e que contava com os humoristas João Paulo Rodrigues e Pedro Alves, com os sketches hilariantes e clássicos de Monty Python. “A Bola Maciça” é a nova série de comédia da SIC Radical onde são dadas a conhecer situações adversas num universo distópico em que os abusos do poder político condicionam o diálogo, as ações e os maneirismos das personagens criadas por Luís Francisco Sousa e Hugo Simões — humoristas, atores e realizadores desta nova produção.

A ideia nasceu muito antes de sequer imaginarem que a série viria alguma vez a ser comprada pela SIC Radical, e dizem que tudo começou quando lhes disseram que não havia limites. “Quando soubemos que podíamos escrever tudo aquilo que nos apetecesse, passámos uma noite inteira a escrever as coisas mais mirabolantes que nos vinham à cabeça e foi a partir daí que começarem a surgir as personagens base daquilo que viria a ser a série”, diz Luís Francisco de Sousa à MAGG.

Quanto ao nome, não têm dúvidas de que foi escolhido não só porque soava bem, mas também porque passava uma ideia de ameaça iminente sobre o universo. O que, de certa forma, acaba sempre por marcar a ação e a narrativa que estava a ser contada. “No primeiro episódio que escrevemos, a ‘Bola Maciça’ era aquela coisa que estava quase a chegar para destruir o mundo mas que ninguém sabia o que era”, revelam.

A série conta com várias personagens como repórteres e jornalistas veteranos que apresentam sempre uma qualquer dificuldade em se enquadrar no meio e no contexto em que se inserem. Apesar disso, nenhum dos realizadores teve alguma vez um passado ligado à área do jornalismo mas dizem que isso nunca foi impedimento para que o humor servisse para alertar para alguns dos problemas a que a profissão tem estado associada nos últimos anos.

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“Eu leio jornais e fico-me por aí, mas embora a série seja um bocadinho radical, no final há sempre um bom senso que acaba por prevalecer para fechar o episódio”, diz Luís Francisco de Sousa. Hugo Simões é da mesma opinião, ainda que acrescente que no humor não tem necessariamente de haver uma agenda por trás, embora não negue que a crítica está sempre presente — quer seja mais ou menos assumida. “A piada está lá sempre mas nem sempre tem o propósito de fazer rir porque não era expectável, ou de alertar para o que está mal e o que devia ser corrigido imediatamente. Embora existam coisas no jornalismo que têm, ou pelo menos deviam, ser corrigidas. Exatamente as mesmas coisas que os jornalistas de ‘A Bola Maciça’ fazem constantemente ao longo dos episódios”, continua.

Luís Francisco de Sousa e Hugo Simões nunca desconfiaram de que estavam a ser alvos de uma partida, mas aguentaram-se bem

Samuel Costa

Segundo os realizadores, a ideia do tipo de humor a que se dedicam é exatamente essa: mais do que fazer o espectador rir com uma piada mais irreverente, é dar a entender que aquela pessoa e as suas ações ou o seu modo de pensar não estão certos e não deve ser socialmente aceite.

“A Bola Maciça” estreou na sexta-feira, 14 de setembro, e a MAGG aproveitou a oportunidade para convidar os dois humoristas a virem à redação para uma entrevista. Só que enquanto eles pensavam que vinham para uma entrevista normal, a MAGG quis fazer o máximo de perguntas desconfortáveis possíveis para lhes dar a provar um bocadinho do próprio veneno. Mas tudo não passou de uma brincadeira e o difícil foi manter a compostura e não rir nos momentos de maior tensão.

A série é transmitida todas as sextas-feiras na SIC Radical, e o segundo episódio chega a 21 de setembro, a partir da meia-noite.