Treinar. Esse hábito imprescindível que custa tanto quanto é necessário. Um dos grande objetivos do exercício físico como rotina passa por conseguir eliminar gorduras acumuladas nos sítios errados. Só que para isso acontecer, são necessários o esforço, a transpiração e, por vezes, a dor. Tendo em conta este cenário pseudo-bélico, será bom maximizar o tempo o melhor possível. Assim sendo, qual é o tipo de exercício que permite queimar mais calorias no menor tempo possível?

As suspeitas confirmam-se. Treinos intervalados de alta intensidade, como CrossFit ou a Tabata, serão os mais indicados, de acordo com o que um grupo de investigadores avança à “Time“. Os cientistas analisaram ao pormenor a quantidade de quilocalorias gastas durante diferentes tipos de treinos, o que os permitiu determinar em que tipo de rotinas é que se gasta mais energia. A lógica é esta: quantos mais músculos estiverem envolvidos (parte de cima e de baixo do corpo, em simultâneo, de preferência), quanto mais estes se esforçarem, mais energia será gasta pelo corpo.

“Quando os músculos se contraem precisam de energia e essa é a razão fundamental que leva ao dispêndio calórico”, diz à MAGG o investigador Paulo Armada da Silva, professor do departamento de Desporto e Saúde da Faculdade de Motricidade Humana da Universidade de Lisboa.

Mas há ainda o processo de recuperação, que faz com que o organismo se continue a esforçar no pós-treino. As calorias que se gastam nas horas seguintes ocorrem quando os músculos se esforçaram muito, o que obriga a uma série de processos que também exigem energia.  Há os processos metabólicos, como a síntese proteica, a acção continuada das hormonas ou ainda o aumento da temperatura corporal. “Isto leva a que o metabolismo do músculo e do corpo eleve o gasto energético”, acrescenta o investigador.

EPOC. O efeito que o faz queimar ainda mais calorias a dormir

De acordo com a “Time”, um outro estudo, que analisou uma parte do treino do CrossFit, chamada Cindy (inclui várias séries de elevações, flexões e agachamentos), mostrou que se queimavam 13 quilocalorias por minuto, o que totaliza um total de 260 quilocalorias, tendo em conta que esta etapa do treino dura 20 minutos. De acordo com a mesma revista, investigações sobre a Tabata, mostraram que se conseguem queimar 14,5 quilocalorias por minuto ou 280 durante um treino de 20 minutos.

Mas estas contas não são estanque, porque a dedicação e esforço variam de pessoa para pessoa. Para que se cheguem a estes valores — ou mais elevados, porque é possível — poderá ser preciso ir para muito longe da zona de conforto, consoante a preparação física. E esta poderá não ser a escolha ideal para todos — pelo menos numa fase inicial — porque é fácil desistir e ganhar traumas.

Quilocaloria ou caloria?

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Popularmente utilizamos só o termo caloria, mas o correto será dizer quilocaloria, como explica Paulo Armada da Silva. Por exemplo: um chocolate que tenha supostamente 500 calorias tem na realidade 500 quilocalorias e 500000 calorias.

Idealmente, aquilo que os investigadores avançam à mesma revista, é que se opte por um estilo de exercício vigoroso, mas que seja possível fazer um compromisso a longo prazo, indicando a corrida como exemplo. “Um individuo jovem e com boa capacidade física terá um dispêndio energético semelhante ou até mais, podendo gastar 15 a 17 quilocalorias por minuto”, diz Paulo Armada da Silva.

Apesar de treinos mais curtos, mas muito intensos, provocarem o efeito EPOC — os tais processos que fazem com que o organismo continue a queimar calorias após o treino — qualquer tipo de treino a longo prazo terá um efeito benéfico no metabolismo, acelerando-o. O que é que isto significa? Quer dizer que, naturalmente, o corpo vai queimar mais calorias diariamente do que aquelas que gastava antes.

“Esse aumento no metabolismo é explicado pela composição corporal. A nossa composição corporal tem a massa magra e a massa gorda. Do ponto de vista do metabolismo, a massa gorda tem uma atividade metabólica baixa. Com o exercício aumentamos a quantidade de massa magra e diminuímos massa gorda e com isso vem o aumento do metabolismo”, explica. “Essa será a principal razão sobre porque é que o exercício a longo prazo eleva o metabolismo.”