Se gostava de continuar de férias mas até dá por si com alguma vontade de rever os seus colegas e regressar às suas tarefas habituais é provável que esteja no lugar certo, que goste do que faz e que tenha a sorte de ter um ambiente de trabalho saudável e harmonioso. Por outro lado, se sente o coração a bater mais depressa só de pensar no seu chefe e não consegue deixar de se sentir triste e amargurada com a perspetiva de voltar ao escritório, é possível que o seu ambiente profissional não seja dos melhores — e caso tenha filhos, esta situação pode estar a prejudicar os mais pequenos.

De acordo com um estudo publicado na Associação Americana de Psicologia, as mulheres que são alvo de comportamentos rudes, desrespeitosos ou que violam de alguma forma as normas comuns de respeito num ambiente profissional, estão mais sujeitas a adotar práticas parentais rígidas que podem causar efeitos negativos nos próprios filhos.

EUA. Pais podem levar os filhos para o trabalho

“Quando a confiança das mães trabalhadoras é abalada e se encontra esgotada, como consequência de um mau ambiente de trabalho e faltas de respeito, por exemplo, é provável que estas mesmas mães optem por comportamentos parentais rígidos e controladores. E foi isso que verificámos nos resultados do estudo”, disse Angela Dionisi, a investigadora do referido estudo e professora na Universidade de Carleton em Ontário, Canadá, ao site Moneyish.

Os seus filhos podem ficar mais ansiosos e até deprimidos

Foi pedido a uma amostra de 146 mães e respetivos companheiros que descrevessem as suas experiências no trabalho com chefes e colegas rudes e desrespeitosos, bem como o tipo de práticas educacionais que utilizavam com os seus filhos. As mães que passavam por situações desagradáveis no seu ambiente profissional (como verem outros receber créditos pelo seu trabalho ou não responderem aos seus e-mails) tinham mais tendência para gritar com as crianças, perder a paciência rapidamente ou serem mais severas nos castigos que lhes aplicavam.

“Estes comportamentos educacionais já foram associados a uma variedade de consequências negativas das crianças, como associar obediência e sucesso com amor, comportamentos agressivos fora de casa, serem mais tímidos e receosos junto de terceiros, baixos níveis de autoestima, depressão, ansiedade e dificuldade em manter o controlo”, refere Angela Dionisi.

Nós não odiamos trabalhar. Nós achamos que odiamos trabalhar. A psicologia explica

Um mau ambiente de trabalho e faltas de respeito no contexto profissional também podem afetar negativamente a autoestima das mulheres, bem como a sua confiança como mães, o que pode explicar o porquê de algumas destas pessoas terem uma maior tendência para optarem por comportamentos parentais mais agressivos e intransigentes.

A professora universitária acrescentou ainda que “ser alvo de comportamentos negativos no local de trabalho tem sido associado a níveis mais baixos de esforço e desempenho no emprego, mais stresse e pouca atenção no processamento de informações e na tomada de decisões”.