Estão a ver aquela pergunta de algibeira num início de entrevista? Essa mesma. ‘Então conte, como é que isto tudo começou?’. Preparamos a caneta, abrimos o bloco e esperamos pela resposta. O que não esperávamos era que Antónia Gomes, criadora de uma marca de malas feitas apenas com excedentes de fábricas, respondesse que tudo tinha começado aos oito anos. Principalmente quando ao lhe perguntarmos a idade atual, Antónia nos diz 41.

“Quando me deram a minha primeira Barriguita comecei logo a fazer roupa para ela vestir”, conta Antónia à MAGG, justificando assim uma vontade de criar que rapidamente passou das bonecas para a vida real. Costurava a sua própria roupa e, mesmo a que comprava em lojas, levava sempre um toque pessoal.

Não estudou estilismo porque não sabe desenhar — “Agora sei que isso também se aprende”, refere — e acabou por seguir Publicidade, área na qual podia continuar a explorar a criatividade. Há cinco anos ficou desempregada e, uma situação que podia ter sido dramática, foi na verdade uma forma de mudar de vida e voltar ao que sempre quis. “O tempo livre acabou por ser ocupado por esta paixão antiga pela costura”.

As solicitações são muitas e Antónia vai passar a vender também em lojas de Lisboa

Começou a fazer golas, cachecóis, a customizar chapéus e cestos e, de repente, as solicitações dos amigos eram tantas que decidiu mostrar ao mundo a sua arte. Estava criada assim a marca Branco Chá. “É um nome que junta a transparência do branco ao quente do chá, é perfeito”.

Aproveitar o que ninguém quer

Antónia sempre aproveitou tecidos que ninguém queria ou excedentes de fábricas para as suas criações e, ao longo dos anos, esta consciência do reaproveitamento de recursos ganhou uma outra dimensão. “Comecei a recusar plástico, a não sair sem os meus sacos de pano e quase toda a minha casa está mobilada com velharias ou móveis que os meus amigos já não queriam”, explica.

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Não demorou muito a perceber que também as suas criações tinham que passar a seguir esta filosofia e há cerca de um ano que a Branco Chá é feita apenas com excedentes. Além disso, passou a dar trabalho a artesãs que a ajudam a criar malas feitas de tapeçarias tipicamente portuguesas.

Não existem duas malas iguais. Há várias cores, formatos e padrões

Atualmente vai às fábricas comprar os excedentes de tecido que iam para o lixo ou aproveita aquele que já lá estão para as primeiras experiências. Depois leva a matéria-prima a três artesãs da Póvoa de Varzim, de onde é natural, e escolhe com elas os modelos, as cores e os padrões das tapeçarias que depois Antónia cose em forma de mala. Além das malas de senhora (todas custam entre 48€ a 60€), faz também sacos para o pão e tote bags. “É a minha forma de fazer com as pessoas usem mais estas alternativas aos sacos de plástico”, admite.

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Para já, as vendas fazem-se maioritariamente online, através das contas de Facebook e Instagram. Aproveita alguns mercados da zona norte para se dar a conhecer e já tem algumas malas à venda em lojas do Porto, Póvoa do Varzim e Vila do Conde. “Dedico o meu dia a isto e só tenho pena que tenha só 24 horas”, brinca. As solicitações já são muitas e brevemente as malas vão estar à venda também em lojas de Lisboa.