Se tem enxaquecas, provavelmente já viu o seu sofrimento ser diminuído e desvalorizado, ao ponto de o compararem com uma simples dor de cabeça. No entanto, esta patologia é uma doença neurológica distinta e tem fortes implicações na vida profissional e pessoal das suas vítimas.

Caracterizada por crises recorrentes de dor de cabeça moderada a grave, tipicamente pulsátil, geralmente unilateral, a enxaqueca é também associada a náuseas, vómitos e sensibilidade à luz, ao som e aos odores.

Causando dores incapacitantes, esta patologia reduz a qualidade de vida e tem um impacto profundo na capacidade para realizar tarefas quotidianas, sendo declarada pela Organização Mundial da Saúde como uma das dez principais causas de anos vividos com incapacidade, por homens e mulheres.

Quem sofre de enxaquecas é obrigado a faltar ao trabalho — mas nem todas as empresas são compreensivas

A enxaqueca é uma doença grave. Porém, é constantemente menorizada, o que torna difícil para quem sofre desta patologia justificar a sua pouca produtividade ou necessidade de faltar ao trabalho nos momentos das crises mais agudas.

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“A enxaqueca é frequentemente subvalorizada como sendo apenas uma dor de cabeça. Mas é uma doença invisível, ainda que debilitante”, afirmou Elena Ruiz de la Torre, diretora executiva e ex-presidente da European Migraine e Headache Alliance, no decorrer da 60ª Reunião Anual da Sociedade Americana da Cefaleias. “Apesar de viverem com uma condição altamente incapacitante, estas pessoas esforçam-se por ser produtivas, mas precisam de maior alívio dos sintomas e apoio no local de trabalho, para conseguir atingir o seu potencial em pleno.”

O estudo My Migraine Voice, que avaliou o impacto da enxaqueca no trabalho (com uma amostra de mais de 11 mil pessoas oriundas de 31 países diferentes), incluindo a redução da produtividade e as horas perdidas (absentismo) devido à doença, concluiu que as vítimas desta doença que trabalham durante as crises reduzem em mais de metade a sua produtividade (53%), percentagem esta que subiu para 56% nos trabalhadores com insucesso terapêutico em dois ou mais tratamentos preventivos.

Apesar do impacto da enxaqueca, os entrevistados partilharam que, embora a maioria de empregadores (63%) tenha conhecimento da sua condição, apenas 18% ofereceram apoio. Além disso, muitos afirmaram sentir-se julgados, estigmatizados ou incompreendidos ao faltar ao trabalho, ilustrando assim a necessidade de sensibilização das entidades empregadoras.

A enxaqueca ocorre frequentemente durante a idade ativa, entre os 35 e os 45 anos, resultando frequentemente em incapacidade temporária durante as crises. As pessoas podem ficar incapacitadas devido aos sintomas, que podem durar dias, sendo esta uma doença que afeta principalmente mulheres  — das mais de 11 mil pessoas entrevistadas para o estudo, três quartos eram do sexo feminino.