As 6 curiosidades que provavelmente não conhecia sobre o Festival Eurovisão da Canção

Na edição de 1956, uma das cantoras viveu num campo de concentração nazi e, em 1981, uma atuação fez com que o velcro esgotasse em Dublin.

Salvador Sobral garantiu a vitória de Portugal na edição de 2017 da Eurovisão — mas foram as suas caretas durante a votação que fizeram furor nas redes sociais

Reuters

Não foi assim há tanto tempo que Portugal fez história ao vencer a 62.ª edição do Festival da Eurovisão da Canção. Foi a 13 de maio de 2017 que “Amar Pelos Dois”, de Salvador Sobral, encantou o júri e os telespectadores, arrecadando um total de 758 pontos.

“A música não é fogo de artifício, é sentimento”, foram as palavras de Salvador no discurso de vitória. Mas além da euforia, da emoção e do deslumbramento, foram as situações caricatas e curiosas que tratam de eternizar alguns dos momentos mais marcantes do festival que começou em 1956 — exatamente 11 anos depois de a Segunda Guerra Mundial ter terminado.

Sabia que Conchita Wurst não foi a primeira a fazer uso da visibilidade que o festival lhe proporcionou, em 2014, para promover temas como a inclusão e diversidade no espaço mediático? É que, na verdade, já Dana International o tinha feito antes ao ser a primeira cantora transexual a vencer a 43.ª edição do festival em 1998.

Ou que as caretas de Salvador Sobral ao ouvir as pontuações à sua canção foram premeditadas e tinham um objetivo? Estas são algumas das curiosidades que a MAGG recolheu sobre a Eurovisão cuja próxima edição começa já nesta terça-feira, 8 de maio, e decorre até sábado, 12, no pavilhão Altice Arena, em Lisboa.

Nesta nova edição, Portugal encontra-se representado por Claúdia Pascoal e Isaura com o tema “O Jardim”.

Em 1956, uma das concorrentes era sobrevivente do Holocausto

A primeira edição do festival, na Suíça, contou com 14 participantes de sete países diferentes e teve como objetivo unir várias nações através da música — numa altura em que a “Europa tinha arrumado as armas há apenas 11 anos”, tal como escreve Nuno Galopim no seu livro “Eurovisão — Dos ABBA a Salvador Sobral”, lançado em maio.

Jetty Paerl representava a Holanda com a canção “De Vogels Van Holland” e, embora não tenha vencido a primeira edição do festival, a sua história tornou-se conhecida mundialmente depois de cantar na Radio Oranje — uma estação de rádio gerida pelo governo no exílio — e emitida através da BBC.

A cantora, que passou grande parte da sua infância sob domínio do regime totalitário da Alemanha nazi, procurou, com a sua canção, encontrar um ponto de entendimento entre aqueles que, anos antes, combateram em lados diferentes do campo de batalha.

O destino de Paerl foi diferente de muitos dos seus compatriotas mortos nos campos de concentração de Auschwitz e de Sobibor.

Nuno Galopim escreve que antes da Segunda Guerra Mundial, a população judaica holandesa rondava os 140 mil. Em 1947 apenas 14 mil cidadãos foram contabilizados nos censos.

Em 1981, uma atuação levou a que o velcro esgotasse em todo o país

Bucks Fizz foi o grupo de música pop que se tornou conhecido depois da atuação na 26.ª edição da Eurovisão, em Dublin. O grupo, composto por dois homens e duas mulheres, surgiu em palco com roupas de velcro. A meio da atuação, os dois membros masculinos rasgaram as saias de velcro das duas mulheres da banda, revelando as minissaias por baixo.

Em apenas 48 horas, o velcro esgotou na Irlanda. A cantora do grupo, Cheryl Baker, terá mesmo afirmado em várias das entrevistas que deu ao longo dos anos que uma peça de velcro terá mudado para sempre a sua vida.

As caretas de Salvador Sobral durante a votação foram planeadas

A vitória de Portugal fez furor nas redes sociais mas mais do que isso, foram as caretas de Salvador Sobral durante a votação que protagonizaram um dos momentos mais engraçados do festival. Mas afinal foi tudo premeditado.

“Tenho amigos atores e um deles, o Luca, sugeriu que, cada vez que nos filmassem, poderíamos fazer uma cara diferente. Isto na semifinal. Depois na final, perante aqueles 12 pontos todos, não havia criatividade para fazer caretas novas”, conta Salvador a Nuno Galopim.

“As caretas foi aquele nosso desejo de fazer coisas diferentes”, revela.

Há países a declarar estar na pobreza para sair da Eurovisão

Está estipulado no regulamento do festival que o país vencedor deve organizar a próxima edição. Problema? O festival é extremamente dispendioso e nem todos os países têm condições financeiras para suportar os gastos de um concurso desta dimensão.

Ao longo dos anos, foram vários os países que disseram estar a viver no limiar da pobreza para poder sair do contrato que os obrigava a organizar uma nova edição.

Holanda, França, Mónaco e Luxemburgo são alguns dos países que desistiram de organizar a Eurovisão. A batata quente foi passada para o Reino Unido um total de quatro vezes.

Portugal nunca esteve no top 5 na tabela de classificações — até 2017

Apesar de nunca ser utilizado de forma oficial durante o festival, o termo “nul points” é usado para identificar aqueles países que durante todo o concurso não foram capazes de pontuar uma única vez. Ao longo das várias edições, a Noruega foi o país que mais vezes se manteve com zero pontos.

Mas foi Portugal que ao longo dos anos — só estando ausente nas edições de 1970, 2000, 2002, 2013 e 2016 — foi considerado o maior derrotado do festival, nunca fazendo parte do top 5 dos países mais pontuados de todo o concurso.

Em 2017, Salvador Sobral concorreu com a canção “Amar Pelos Dois”, escrita e composta pela irmã, Luísa Sobral, e o resto é história — tendo conseguido a vitória de Portugal pela primeira vez, com uma pontuação recorde de 758 pontos.

Conchita Wurst não foi a primeira a promover a igualdade, mas foi das mais marcantes

A drag queen austríaca saltou para as luzes da ribalta ao representar o seu país no festival da Eurovisão, em 2014. A persona por detrás do nome Thomas Neuwirth surpreendeu o mundo ao surgir de cabelos compridos e barba proeminente.

O seu espetáculo tinha como objetivo promover a igualdade em todas as esferas sociais e políticas, e foi alvo de duras críticas e comentários insultuosos. Um político russo reagiu à vitória de Conchita dizendo que revelava “o futuro dos apoiantes de uma Europa mais unida e integrada — uma rapariga com barba.”

Esta reagiu pouco tempo depois: “Quando toda uma nação acha que um homem gay, que por acaso gosta de se vestir de mulher, é capaz de influenciar a opinião pública e mudar mentalidades, só posso encarar isso como um elogio.”

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