Os riscos para a saúde de ter uma alimentação pouco verde e demasiado agarrada ao fast-food já são mais do que conhecidos. Mas se habitualmente associávamos esses maus hábitos a doenças do coração ou até a um risco acrescido de desenvolver um cancro, há agora um estudo que encontrou uma evidente relação entre comer de forma pouco saudável e níveis mais baixos de fertilidade.

Um investigação que contou com dados recolhidos na Austrália, Nova Zelândia e Reino Unido e foi publicada no jornal científico “Human Reproduction”, revela que mulheres que comem pouca fruta e muito fast-food levam mais tempo até conseguirem engravidar e têm menor probabilidade de iniciar uma gestação no período de um ano.

Foram recolhidos dados de quase 5600 mulheres, com idades entre os 18 e os 43 anos, todas numa fase em que tentavam engravidar pela primeira vez. Foi pedido às enfermeiras e parteiras que acompanharam cada uma dessas mulheres para que lhes colocassem questões sobre os hábitos alimentares pré-conceção e que registassem também quanto tempo as mulheres demoraram a engravidar. Tal como lembram os investigadores, um casal é considerado infértil quando é incapaz de conceber no espaço de um ano de tentativas. Assim, e embora todas as mulheres envolvidas no estudo estivessem grávidas, 8% delas acabaram por ter o rótulo de inférteis por terem levado mais de um ano a engravidar. Por outro lado, 39%, o que corresponde a 2204 mulheres, concebeu no espaço de um mês.

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No momento de avaliar o impacto da dieta na fertilidade, os cientistas perceberam que as mulheres que consomem pouca fruta veem aumentar de 8 para 12% o risco de infertilidade, ou seja, para o dobro. Ficou provado que três ou mais peças de fruta por dia são suficientes para que engravidem meio mês mais cedo do que aquelas que comiam fruta de uma forma esporádica. Também aquelas que comem fast-food quatro ou mais vezes por semana aumentam os riscos de infertilidade, desta vez de 8 para 16%. Um pormenor: foram considerados fast-food alimentos como pizza, frango frito, batata frita e hambúrgueres, comprados em restaurantes e não quando esses produtos foram comprados em supermercados para comer em casa.

O estudo foi ajustado tendo em conta fatores como idade, tabagismo, consumo de álcool e índice de massa corporal, para garantir que os dados refletissem apenas os efeitos da dieta sobre a infertilidade e o tempo necessário para engravidar.

Os investigadores aproveitaram a divulgação do estudo para lembrar que um em cada seis casais tem dificuldade em engravidar e que estudos como estes podem dar uma alternativa a quem procura aumentar a chance de poder ser mãe.