Kratos é o guerreiro de Esparta mais conhecido da plataforma PlayStation e está de volta em “God of War” — o mais recente jogo da saga que procurará explorar temáticas mais pessoais num contexto totalmente diferente dos jogos anteriores. A continuação da história do antigo Deus da Guerra vai passar-se oito anos depois dos acontecimentos em “God of War III” e, em vez de deuses e criaturas do imaginário grego, irá envolver a mitologia nórdica.

A narrativa tem início com a aventura de Kratos e o filho, Atreus, que terão de subir até à montanha mais alta de Midgard para espalhar as cinzas da mulher, Faye, cujo funeral é preparado nos primeiros instantes do jogo.

Embora o jogador só tenha a possibilidade de controlar Kratos, é Atreus quem trata de dar forma e coerência ao enredo. O mundo frio e perigoso de “God of War” é apresentado através dos olhos de uma criança que acaba de perder a mãe e que tenta, a todo o custo, criar uma ligação forte com o pai — sujeitando-se, por vezes, a situações de risco na tentativa de o impressionar.

Apesar de estar totalmente diferente a nível de mecânicas de jogo, cenários e narrativa, esta nova edição vai buscar alguns dos elementos que elevaram a saga ao estatuto de culto. Há violência, sangue, morte e caos, o que levou a Pan European Game Information, a organização responsável pela classificação por idades de todo os os produtos digitais, a designar “God of War” com a classificação PEGI 18.

No entanto, pode ser difícil respeitar as classificações impostas pela organização. Ora porque o jogo é muito desejado pelas crianças e os pais não sabem o que fazer, ou porque, muitas vezes, não entendem até que ponto pode um jogo revelar-se desadequado para os miúdos.

A pensar nisso, dizemos-lhe tudo o que precisa de saber acerca do novo “God of War” caso esteja na dúvida entre comprar ou não o jogo.

O jogo é violento e pode assustar os mais novos

Mantendo a tradição dos jogos anteriores, esta nova edição continua a ter muita ação, sangue e algumas cenas gráficas. Ao controlar Kratos, o jogador terá de usar o machado da personagem e os punhos para matar as criaturas horrendas que vão aparecendo pelo caminho.

Como a Nintendo está a tornar os miúdos mais criativos

Através de sequências de golpes, o sangue no ecrã vai sendo cada vez mais — embora menos gráfico do que outros jogos realistas —, e dão origem a ataques especiais que terminam com o desmembramento total ou parcial do inimigo. Além disso, há certos momentos em que os monstros ou as criaturas da ação podem surgir de forma repentina e, com isso, originar possíveis situações de susto ou de pânico temporário.

Na plataforma online Common Sense Media, criada para que pais de todo o mundo possam dar a sua opinião acerca de todo o tipo de conteúdo e da forma como este pode afetar as crianças, um utilizador escreve que “ainda que os jogos de ‘God of War’ sejam bastante violentos, este novo capítulo tratou de mudar um pouco a sua imagem.”

“Não só é menos violento, como também tem uma história mais adulta e que apela a um sentimento de identificação para com o jogador”, referindo-se à relação de pai e filho incorporada nas personagens Kratos e Atreus.

“Apesar de haver linguagem forte e, por vezes, abusiva (que funciona apenas como reforço narrativo)”, continua, “não há a representação de cenas de sexo ou de consumo de álcool e drogas.”

Há uma mensagem forte por detrás do jogo

A personagem principal está disposta a sacrificar tudo para salvar o filho e honrar a mulher. A vontade de querer fazer o que está certo e de corrigir os erros do passado são algumas das mensagens mais importantes da narrativa.

Há ainda uma demonstração de afeto paternal muito forte através da figura de Kratos que, embora tenha vivido grande parte da sua vida em conflito com os deuses, tenta agora levar um estilo de vida mais calmo e perto do filho.

Durante a história, o guerreiro vai ensinando tudo aquilo que acha de relevante que o filho saiba, ainda que, por vezes, a impaciência típica de uma criança possa ser difícil de lidar. Assim, o jogo traça um retrato fiel de uma relação difícil entre pai e filho, e de como ambos sofrem com isso. 

Pode ser educativo

Por ter como base a mitologia nórdica, o jogo é assente em mitos antigos e lendas que durante anos movimentaram multidões, geraram crenças e reações. Apesar da violência cénica que a narrativa promove, God of War” pode despertar o interesse na criança pela história e pelo legado cultural deixado pelas civilizações antigas.

Este primeiro contacto com a mitologia poderia levar a novos debates acerca de outras questões de teor histórico ou existencial que, no fundo, abririam mais e novas formas de conhecimento.

Apesar da violência gráfica, das criaturas e dos monstros que fazem parte da história, “God of War” é muito mais que isso e pode ser uma boa aposta para sessões de jogo em família.

Atenção Muggles: 7 jogos que todos os fãs de Harry Potter têm de ter

No caso de existirem crianças mais novas, recomenda-se sempre que estas sejam acompanhadas por um adulto que, durante o processo, perca todo o tempo necessário para responder às suas dúvidas, com o objetivo de a fazer entender que aquilo que está a ser mostrado no televisor não passa de um universo ficcional que tem como propósito oferecer horas de diversão.

Apesar de a Sony ter confirmado no início de 2018 que não tinha planos para que a continuação da saga chegasse tão cedo, “God of War” está já a ser considerado um dos jogos do ano.

O lançamento oficial está marcado para sexta-feira, 20 de abril, e chega em exclusivo para a PlayStation 4. Está à venda nos locais habituais e custa 69,99€.