“Já estou cansada de ouvir aquele telemóvel a tocar, e daqueles risinhos parvos sempre que abre uma mensagem no WhatsApp. São umas atrás das outras, e a forma como põe o telemóvel para eu não ler o que lá está escrito, deixa-me fora de mim. Vou descobrir a password, custe o que custar, e assim que ele adormecer vou pegar no telemóvel e ver todos os motivos que o levam a ter tantas notificações. Quero acabar de uma vez com este sufoco e apaziguar este medo que me está a consumir, depois já me vou sentir segura e já vou ter o controlo da situação, já não vou andar à deriva, sem saber o que fazer ou pensar.”

Identifica-se ou conhece alguém a quem uma simples notificação no telemóvel do/a namorado/a já o faça suar frio?

Neste exemplo dado, o que pensa ser a situação? Falta de confiança na pessoa que está ao nosso lado? Ou insegurança em relação a si próprio?

Qualquer relação deve assentar numa forte base de confiança, este é mesmo o ponto de partida para o estabelecimento de uma relação, sobretudo para que haja respeito pela individualidade de cada membro do casal, e assim sendo, consideração pelas suas escolhas e emoções. Funciona quase como que um barómetro sobre a estabilidade da relação e quando isto não existe e a falta de confiança no outro reina, por mais pequena que seja a atitude que vá em oposição à desejada, esta é entendida como uma ameaça ao bem-estar da pessoa e consequentemente da relação.

A falta de confiança pode ter origem no facto daquela pessoa já ter sido traída, seja dentro de uma relação amorosa, ou por um amigo ou familiar.

Segundo a PNL (Programação Neurolinguística), compreendemos o mundo de acordo com os nossos filtros de perceção (crenças, linguagem, memória, decisões), omitindo, distorcendo e generalizando as informações captadas. Assim, a realidade ao passar por estes filtros acaba por se tornar uma representação interna, que nos traduz de forma automática o que está a acontecer, ou seja, uma grande parte do nosso comportamento ocorre através de processos cognitivos implícitos, nos quais não temos domínio direto.

Pode também derivar de processos emocionais relacionados a medos e inseguranças internas.

Estou cansada, sinto-me sem ar, um aperto tão grande no peito. Cada vez mais tenho o sentimento que devia fazer isto ou aquilo, mas não sei o que mudar, o que fazer e como lidar com tudo o que ‘empurro com a barriga’ ou até mesmo ‘mando para trás das costas’.”

“Ah, mas a minha namorada é linda, não existe qualquer razão para que ela se sinta insegura!” A insegurança não olha à presença ou à beleza quando surge, vem sim de um estado interior de inferiorização, baixa auto-estima ou insatisfação com o “Eu”, que pode trazer consigo uma carga maior e mais emocional do que aquela que o fantástico exterior nos deixa ver.

“Eu sei que sou gata, mas… e se ele acha piada a outra miúda, se ela o faz rir mais que eu, se ela sabe falar melhor com ele, se ele acha que têm imensas coisas em comum?”

Existe um desacordo entre quem ambicionamos ser e aquilo que vemos em nós, e com isto vêm medos, receios, e comportamentos desfasados dos desejados, havendo uma luta interior muito grande e dura, que de dia para dia vai desgastando a própria pessoa, o outro e a relação. A falta de valorização pessoal, de confiança nas suas atitudes e escolhas, vai-se tornando cada vez mais marcada e marcante, dando lugar muitas vezes a uma pessoa com quem o próprio “Eu” já não se identifica, e que quer mesmo que não exista. Dói, magoa muito, não só o outro mas a si próprio, sendo maioritariamente uma dor solitária e injusta, pois o outro não entende o que possa ter levado a que todos os acontecimentos se tenham desenrolado e catapultado a relação para um patamar de sofrimento.

“Estou cansada, sinto-me sem ar, um aperto tão grande no peito. Cada vez mais tenho o sentimento que devia fazer isto ou aquilo, mas não sei o que mudar, o que fazer e como lidar com tudo o que ‘empurro com a barriga’ ou até mesmo ‘mando para trás das costas’. Estou no meu limite, sinto-me gorda e a ficar velha, sinto que a nossa vida sexual estagnou e tudo devido à minha forma física.  Preciso de mudar, quero mudar.”

Então o que é possível fazer para melhorar, tanto a falta de confiança como a insegurança?

1. Acreditar, em si próprio e no outro, esta parte é essencial para que se queira dar e dê um primeiro passo para a mudança;

2. Conversar sobre os medos, receios, convicções, crenças, de forma aberta e sincera, expondo ponto por ponto o que a preocupa, sem julgamentos, colocando-se nos sapatos um do outro, de forma empática, dialogando sobre isso, e construindo uma admiração mútua;

3. Respeitar o modelo do mundo do outro, cada um tem o seu, a sua imagem do outro e do mundo, e em nada tem a ver com o outro mas sim consigo próprio, ou seja, não nos podemos afirmar como estando na posse da verdade, apenas de que somos os autores dos nossos próprios pensamentos, ações e sensações, e o que vemos é aquilo que nós vemos e poderá não ser o que o outro percepciona;

4. Ter atitudes que vão ao encontro dos resultados e não dos problemas, isto é, sem culpas mas sim com foco nos objetivos;

5. Trabalhar os mecanismos de coping (estratégias cognitivas e comportamentais que facilitam a adaptação a novos contextos e situações), de forma a que não existam questões de porquê, mas sim de como vou conseguir alcançar o resultado desejado;

6. Analisar a sua atividade ou passividade em relação à situação e perceber o que podem fazer em conjunto e individualmente de forma mais intrínseca;

7. Mudar o ponto de vista, de maneira a ver o outro lado do cubo, o que está do outro lado? Focando noutros aspectos, outras possibilidades e não nas limitações.

Tenha sempre em mente, que as mudanças são algo que requer um passo de cada vez e que precisam de tempo e dedicação. Caso não o consiga fazer de forma autónoma, procure a ajuda de um especialista.