Localizada a 200 quilómetros do Círculo Polar ártico e no noroeste da Rússia, Murmansk foi em tempos um dos portos mais importantes para as frotas da União Soviética. Atualmente, é uma cidade onde habitam 292 mil pessoas (ainda que em 1989 estivessem registados 468 mil habitantes) e que serve como ponto turístico para os mais curiosos. É que Murmansk é conhecida pelos seus invernos rigorosos nos quais, durante 40 dias, o sol não nasce.

O fenómeno, conhecido como noite polar, ocorre anualmente entre 2 de dezembro e 11 de janeiro, e o último domingo de sol é celebrado com uma espécie de festival ao ar livre. Há música, festa, panquecas e tudo o que sirva para aproveitar os últimos raios de sol que, mais tarde, são substituídos por longos períodos de escuridão.

Depois de períodos de dias polares, em que o sol nunca se põe, geralmente entre 22 de maio e 22 de julho, os gastos de eletricidade da população de Murmansk são quase nulos.

No entanto, tudo aquilo que pouparam é gasto no inverno — quando as temperaturas descem e acordam de manhã já com o céu escuro e sem luz. As contas de eletricidade aumentam e a região é invadida por fontes de luz artificial — seja candeeiros ou neons, tudo serve para iluminar o dia que é sempre noite.

Porque é que algumas pessoas estão sempre com frio?

Embora o fenómeno atraia cada vez mas turistas que, de câmara em riste, se preparam para fotografar as auroras polares, uma vida às escuras tem impacto nos habitantes. E não é por acaso que são cada vez mais os médicos da região que alertam para o aumento de episódios de depressão na população devido à falta de luz natural.

Apesar disso, a verdade é que as fotografias da região nesta altura do ano são autênticos postais de Natal. E talvez por isso, o fotógrafo Amos Chappe, da agência de notícias Radio Free Europe/Radio Liberty, tenha posto a mala às costas e levado apenas um smartphone que fosse capaz de tirar fotografias em modo noturno. A ideia era fazer uma reportagem e mostrar de que forma é que os russos vivem na parte mais a norte do país durante as noites polares.

É que além da escuridão que domina por completo a cidade, Murmansk é ainda afetada por longos períodos de neve, tempestades e frio. É por isso que a vida noturna passa a ser a regra na cidade, mesmo de dia, com os cidadãos a refugiarem-se do frio e da solidão nos bares, nos restaurantes, cafés e bares noturnos.

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À Radio Free Europe/Radio Liberty, um ex-pescador de 52 anos revela que sente um carinho muito especial por Murmansk não só por ser uma região piscatória, mas também pela sensação de liberdade que a a região oferece. No entanto, e embora tenha vivido grande parte da sua vida na cidade, confessa-se “um pouco cansado e exausto” da escuridão invernal.

Um taxista com quem Amos Chappe conversou é da mesma opinião. Devido à sua profissão, que o obriga a estar várias horas ao volante do carro, diz que as semanas de escuridão total em Murmansk têm impacto na sua forma de estar e que, por vezes, chega a dormir “em qualquer sítio” em que pare o carro durante as horas de trabalho.

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