37.º celsius. Esta é o número padrão que usamos para definir a temperatura de um ser humano. É por ela que regemos os resfriados, e sabemos que a partir dali chega a hora de nos enfiarmos na cama a recuperar. Mas afinal, este número pode não estar totalmente certo.

O site “Science Alert” explica que esta temperatura padrão foi introduzida no século XIX por um físico chamado Carl Reinhold August Wunderlich. Para obter a temperatura média das pessoas, Wunderlich analisou milhões de medições de milhares de pacientes. Provavelmente na altura a temperatura estaria correta, hoje em dia já não.

“Tudo o que as pessoas aprenderam durante o seu crescimento, que a nossa temperatura normal é de 37.º celsius, está errado”, explica a investigadora Julie Parsonnet, da Universidade de Stanford. Para começar, o termómetro que servia para medir as temperaturas há alguns séculos era bastante rudimentar, depois já foram feitos vários estudos que indicam que a temperatura dos corpos, além de estar mais baixa, varia consoante o género, a idade e até a altura do dia.

Parsonnet e a sua equipa de investigadores quiseram então perceber o porquê de as temperaturas corporais atualmente estarem mais baixas do que há uns anos. Mas antes disso analisaram várias medições feitas em militares veteranos, através de dados recolhidos entre 1970 e o início dos anos 2000, que provavam que, de facto, a temperatura individual tinha realmente decrescido.

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A temperatura corporal para os homens nascidos nos anos 2000 era 0,59 graus celsius mais fria do que aqueles nascidos no início do século XIX. Fazendo as contas, representa uma descida da temperatura de 0,03 graus por década. Já nas mulheres, a descida da temperatura situava-se nos 0,32 graus desde 1890.

Apesar das medições rudimentares da altura, os investigadores não creem que esta diferença tenha que ver com os métodos usados. Por isso, acreditam que esta mudança esteja relacionada com alterações corporais ou ambientais.

“Fisiologicamente, somos diferentes daquilo que éramos no passado”, começa por explicar Julie Parsonnet. “O ambiente em que vivemos mudou, incluindo as temperaturas em nossa casa, o contacto com os microrganismos e a comida a que temos acesso. Todas estas coisas significam que, apesar de pensarmos nos seres humanos como monofórmicos e estarmos iguais durante toda a evolução humana, nós não somos iguais. Estamos a mudar fisiologicamente”.

Segundo o estudo efetuado, os melhoramentos na saúde e uma melhor nutrição poderão ser as respostas para este enigma. É que se, por um lado, o aumento da massa corporal aumentaria a temperatura, por outro, houve um declínio de infeções crónicas, o que pode ajudar a explicar as temperaturas mais baixas.