A paridade económica de género ainda está muito distante, avisa o World Economic Forum (WEF). É para isto que apontam os resultados do relatório anual Global Gender Gap elaborado por esta organização e publicado esta quarta-feira,18 de dezembro.

Através da medição da igualdade de género em 153 países, com base em quatro critérios, entre eles política, economia, saúde e educação, a WEF constatou que as diferenças económicas poderão levar 257 anos a desvanecer-se, valor superior àquele que era previsto em 2018, que apontava para 202 anos.

O relatório, que descreve estes resultados como “sóbrios”, diz que “nenhum de nós verá a paridade de género nas nossas vidas”, ressalvando que também “os nossos filhos” não viverão nos tempos sem diferenças.  No relatório do ano passado, a WEF deixou um alerta: é fundamental encorajar mais mulheres a entrarem nas áreas das ciências, tecnologias ou engenharia para que se combata a disparidade de género — ao contrário,  esta tenderá a aumentar.

Em quase todos os setores de trabalho de futuro existem desigualdades, nomeadamente, nos ramos da programação na nuvem, engenharia, dados, inteligência artificial ou desenvolvimento de produto.  A mudança tecnológica, afirma o relatório, está também a ter um impacto desproporcional nesta diferença, uma vez que as mulheres ocupam cargos mais baixos.

Porque é que Portugal não ficou entre os 6 países do mundo onde homens e mulheres têm os mesmos direitos

A isto soma-se o facto de poucas mulheres entrarem em profissões onde o crescimento salarial seja rápido. “Para chegarmos à paridade na próxima década, em vez de nos próximos dois séculos, precisamos de mobilizar recursos, focar a atenção da liderança e de criar um compromisso com as metas”, disse Saadia Zahidi, chefe do WEF Centre for the New Economy and Society, citada pelo “The Independent“.

Apesar dos maus resultados, o relatório tinha algo de positivo: a diferença de género global (que, além da economia, integra também a saúde, educação, política) melhorou, graças ao aumento do número de mulheres no universo da política. Ainda assim, as mulheres ocupam apenas 21% das posições ministeriais em todo o mundo, o que, de acordo com o WEF, faz com que sejam necessários 99,5 anos para que esta diferença de género desapareça.

Os países que estiveram mais perto de fechar o gap de género em 2019 estão na Europa ocidental, com a Islândia a liderar. Seguem-se a Noruega, Finlândia, Suécia, Nicarágua, Nova Zelândia, Irlanda, Espanha, Ruanda e Alemanha.

Portugal só é referido uma vez no relatório: por cá, uma em cada dez mulheres ocupa cargos diretivos numa empresa, sendo que foram registadas 16,2% mulheres nessas posições em 2019. França e Islândia foram os países com melhores resultados, com percentagens de 43,4% e 43%. A Coreia, Indonésia e Japão têm os piores números: 2,1%, 3,3% e 5,3%, respetivamente.

Klaus Schwab, fundador do WEF, chama a atenção para a urgência de acelerar e contrariar os números do relatório: “No atual ritmo de mudança, levará quase um século para alcançar a paridade, uma linha do tempo que simplesmente não podemos aceitar no mundo globalizado de hoje, especialmente entre as gerações mais jovens que têm visões cada vez mais progressistas da igualdade de género.”