Há sempre um cantinho reservado para a árvore de Natal. Durante o ano até pode ser um cemitério de livros ou estar ocupado por uma peça de decoração, mas quando chega o dia 1 de dezembro (ou novembro em alguns casos) a protagonista daquele canto é a árvore de Natal decorada.

Há quem compre um pinheiro verdadeiro, ou quem use as artificiais que se compram em qualquer loja ou supermercado. É uma questão de gosto, mas há outro tema aqui envolvido sobre o qual pode nunca ter pensado: o planeta.

Cada vez estamos mais conscientes sobre o impacto dos nossos atos no ambiente, e já que estamos na época natalícia, a árvore de Natal também entra em discussão quanto à pegada de carbono.

Analisemos: ao comprar um pinheiro verdadeiro, quando este é desmontado em janeiro acaba normalmente no lixo, para dar lugar a um outro no Natal seguinte. Já a árvore de plástico (a palavra quase proibida no que toca à sustentabilidade), pode ser reutilizada todos os anos.

Se pesarmos na balança, à primeira vista a expressão “reutilizada” parece ganhar. Mas é preciso explorar melhor o tema.

Uma árvore de Natal em emissões de carbono

O primeiro contrate surge com aquilo que a empresa “The Carbon Trust” disse ao jornal “The Independent“: o pinheiro verdadeiro tem uma pegada de carbono significativamente menor do que o artificial no momento em que vai para o lixo. Mas de acordo com a associação é preciso ter em conta o modo como se deita fora.

Uma árvore natural com 2 metros e sem raízes, no momento em que é descartada produz uma pegada de carbono de cerca de 16 kg de CO2 (dióxido de carbono), ao passo que se for queimada, plantada ou lascada, a emissão é de cerca de 3,5 kg de CO2.

E quanto às árvores artificiais? Quando é descartada a pegada de carbono corresponde a 40 kg de CO2 (dez vezes mais do que no caso da árvore real). Por isso, para que esta seja uma opção mais ecológica, terá de reutilizá-la durante pelo menos dez anos para igualar ao impacto produzido pela árvore verdadeira.

A grande pegada de carbono das árvores de plástico está relacionada com a “produção intensa de energia que está envolvida no processo de fabrico”, ao contrário do pinheiro, que absorve o dióxido de carbono e liberta oxigénio, de acordo com Darren Messem, direitor administrativo da “The Carbon Trust”.

Caso opte por um pinheiro de Natal à moda antiga, o transporte é fundamental para minimizar ainda mais o impacto no ambiente. Como? Escolhendo uma árvore local, de forma a percorrer o menor percurso possível e, de preferência, sem ter de usar o carro. Outro dos métodos importantes para diminuir o impacto no ambiente, é reutilizar esta árvore todos os anos.

E quanto à desmatação?

Este pode ser um dos pensamentos de quem opta pela árvores de plástico. Mas Anne Mari Cobb, responsável florestal certificada pela associação “Soil“, refere ao jornal britânico que os consumidores não devem preocupar-se com o facto de comprar estas árvores, porque a maioria “é cultivada como uma horticultura [ramo da agricultura que estuda as técnicas de produção e aproveitamento do que é produzido] e não é derrubada nas florestas pré-existentes”.

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O que fazer se já tem uma árvore artificial?

Simples. Reutilizá-la por longos anos. Já que investiu nessa árvore, deve vê-la como uma compra a longo prazo, tal como os enfeites comprados.

Quando esta já não estiver em condições para trazer de novo o espírito de Natal, aí pode optar pelo pinheiro verdadeiro. Dentro deste, além de escolher local, deve optar por aquele que for mais ecológico.

“Comprar uma árvore com raízes permite que a cultive num espaço exterior e a use no ano seguinte, o que irá reduzir o impacto ambiental e será também mais económico”, aconselha Emi Murphy, responsável pelas iniciativas florestais na organização ambiental “Federação Amigos da Terra Internacional“.

Caso não tenha espaço para isso, as árvores em vaso podem ser uma opção, podendo colocá-las numa varanda. E não ficamos por aqui: pode ainda alugar uma árvore, seja em segunda mão de uma outra família ou de projetos como o Pinheiro Bombeiro, uma iniciativa da startup portuguesa Rnters. 

No caso deste pinheiro, quando passar a época natalícia é devolvido à Rnters, que o transforma em biomassa. Além disso, parte do dinheiro do aluguer reverte para os bombeiros.

Mesmo que já não vá a tempo, pode começar a pensar na melhor opção para o próximo Natal.