Toda a gente sabe que os peixes andam a comer plástico, que as palhinhas são uma espécie de arma mortífera do século XXI e que qualquer dia, à falta de florestas, fazemos piqueniques no topo dos arranha-céus.

Toda a gente sabe disso, mas são muitas as vezes em que preferimos não saber. E só quando os números são transformados em coisas palpáveis tomamos real noção do problema. Então vamos a isso.

Estão a ver as tais árvores que todos sabemos que estão a ser cortadas, sem replantação que cubra o prejuízo? Pois. Saiba que falamos aqui do equivalente a 36 campos de futebol de floresta que se perdem a cada minuto. Isto significa que 13 milhões de hectares de floresta desaparecem todos os anos, uma área equivalente ao tamanho da Grécia.

A paisagem é cada vez menos verde, mas as consequências estão longe de serem só visuais. A desflorestação representa cerca de 17% das alterações climáticas e tem um enorme impacto na emissão de gases do efeito de estufa, maior do que toda a indústria dos transportes.

Está visto que aquela meia dúzia de plantações que se fazem no Dia da Árvore, que se assinala a 21 de março, está longe de ser suficiente. E é aqui que entra a Tree-Nation, uma plataforma de reflorestação que usa o seu software para incentivar pessoas e empresas a participar em projetos de reflorestação em todo o mundo.

As alterações climáticas estão a transformar as florestas em fantasmas

A encabeçar este projeto está Maxime Renaudin, um francês que escolheu Barcelona como sede de um projeto que não vê fronteiras. Até à data, mais de 118 mil cidadãos e 1.500 empresas usaram a plataforma para plantar árvores. E como?

“A Tree-Nation facilita a plantação de árvores, permitindo a indivíduos e empresas que participem em projetos de reflorestação em todo o mundo”, explica à MAGG o fundador do projeto. Através de uma plataforma online, os interessados podem escolher as árvores que querem plantar através de vários projetos de reflorestação. Ao todo falamos de 70 projetos em 33 países.

Cada árvore comprada na plataforma Tree-Nation (existem árvores a partir de 10 cêntimos) recebe seu próprio URL exclusivo, o que permite que todo o processo possa ser acompanhado online. “Além disso, pode ser oferecido como presente”, lembra Maxime. Esta plataforma também garante às empresas uma ferramenta para ligar a plantação de árvores aos seus objetivos pessoais de vendas, performance ou serviços, como parte de ações de marketing ou sustentabilidade.

Fizemos o teste. O primeiro passo é escolher qual a zona do mundo no qual queremos ver plantada a nossa árvore. Percebemos que podemos escolher entre plantar tília em França, coqueiros na Colômbia e figueiras na Índia. Esse contributo começa em 1€ e pode ir até onde cada um quer chegar com a sua contribuição.

Além da Grande Barreira de Coral, também a floresta tropical de Daintree está a desaparecer

Pela figueira na Índia, por exemplo, a contribuição é de no mínimo 3€, mas com apenas uma árvore plantada, sabemos imediatamente que compensamos a emissão de 150 quilos de CO2 para a atmosfera.

Maxime espera fazer chegar este projeto a cada vez mais países, até porque a Tree-Nation é, neste momento, o seu principal foco. Com estudos nas áreas de Negócios, Engenharia e Arquitetura de Interiores, participa desde sempre em startups ligadas ao online. Mas foi em 2004, depois de um ano a viajar pelo mundo a fotografar — uma das suas grandes paixões — que decidiu que queria ajudar a proteger o planeta que tinha acabado de conhecer.

“Sempre senti que havia muita coisa de errada na nossa sociedade e que esta nem sempre cresceu na direção certa. As alterações climáticas foram para mim o principal exemplo desse crescimento feito de forma errada e foi um alívio perceber que, com o tempo, essa deixou de ser uma preocupação apenas minha. Foi um alívio ver que, afinal, eu não era assim tão louco”, conta à MAGG.

Ainda assim, na altura não tinha uma noção concreta do que fazer para mudar a situação. “Mas como sou um curioso, tiro pelo menos duas horas do meu dia para ler sobre várias coisas, entre elas a alterações climáticas”, refere, e garante: “Acreditem que não é uma tarefa agradável”.

“O que estamos a fazer ao nosso planeta é terrivelmente triste. Basta pensar naquela espécie de tigre que levou 300 milhões de anos para se transformar num animal incrível, coisa que nós conseguimos destruir em 50 anos”, salienta.

É por isso que ainda que admita que aprender mais sobre as alterações climáticas não tornará a vida de alguém mais feliz — “é bastante deprimente até” — sabe que é um trabalho que tem que ser feito. “E eu assumo essa responsabilidade”.