As mudanças climáticas e a poluição dos nutrientes dos oceanos estão a tirar oxigénio dos oceanos, o que representa uma ameaça para muitas espécies de peixes. É esta a conclusão da maior investigação que estudou o fenómeno, realizada pelo grupo de conservação União Internacional para Conservação da Natureza (UICN), diz a BBC.

O fenómeno é conhecido há muito tempo. Porém, de acordo os investigadores, o cenário está a agravar-se com as alterações climáticas, que potenciam e aceleram a falta de oxigénio nos oceanos. De acordo com a investigação, neste momento existem 700 pontos já com níveis de oxigénio muito baixos — na década de 60 eram 45.

Atum, espadim e tubarões são algumas das espécies em risco, apontadas pelos investigadores, reporta o mesmo canal inglês. É que, sendo maiores, e nadando mais, têm também mais necessidades. De acordo com os autores, eles estão a começar a mover-se para zonas mais superficiais dos mares, onde há mais oxigénio, o que os torna mais vulneráveis à sobrepesca. Por outro lado, as alforrecas beneficiam deste estado do mar.

97% da comunidade científica acredita nas alterações climáticas. O que defendem os outros 3%?

Ainda que há muito se saiba que o escoamento de químicos para os oceanos contribuam para este efeito, as alterações climáticas têm-no potenciado ainda mais: é que conforme o dióxido de carbono é libertado para a atmosfera, fazendo crescer o efeito de estufa, grande parte desse calor é absorvido pelos oceanos. Consequentemente, essa água mais quente vai conter menos oxigénio.

Diz a BBC que os cientistas calculam que, entre 1960 e 2010, a quantidade de gás dissolvido nos oceanos diminuiu 2% — pode não parecer um número significativo na média global, mas a realidade é que em zonas tropicais esta perda pode chegar aos 40%.

“Estamos a par da desoxigenação, mas não conhecemos as ligações concretas às alterações climáticas e isso é realmente preocupante”, disse Mina Epps, da UICN, citada pelo mesmo canal, que acrescenta que a diminuição de oxigénio quadruplicou nos últimos 50 anos.

Se nada mudar, e os países continuarem a emitir gases de efeito de estufa para a atmosfera, estima-se que os oceanos percam entre 3 a 4% do seu oxigénio até 2100. As regiões tropicais serão as mais afetadas no mundo.

E não só os animais serão os prejudicados pela falta de oxigénio: os ciclos básicos de elementos cruciais para a vida na Terra também são vítimas, o que poderá significar a perda de habitats e de biodiversidade.

“Isto também mudará a energia e o ciclo bioquímico nos oceanos e não sabemos o que estas mudanças biológicas e químicas nos oceanos podem realmente fazer”, acrescenta Epps.

Dan Laffoley, co-editor do relatório da UICN, também deixa o alerta: “O esgotamento do oxigénio do oceano está a ameaçar os ecossistemas marinhos que já estão sob stresse devido ao aquecimento e à acidificação dos oceanos”, diz. “Para travar a preocupante expansão de áreas pobres em oxigénio, precisamos de reduzir decisivamente as emissões de gases de efeito estufa, bem como a poluição com origem em produtos da agricultura e outras fontes.”