É certo que na cozinha do Vizza não entram produtos de origem animal, mas não é por isso que aqui se levanta a bandeira vegan. Ricardo Güttler, de 34 anos, sabe que fazendo isso é certo que chegaria ao coração dos vegan mas, por outro lado, poderia criar barreiras a todas as outras pessoas.

Prefere então falar de um restaurante plant based porque, de facto, as seis pizzas que servem não têm carne, peixe ou derivados, mas quer, principalmente, fazer do Vizza um espaço aberto a todos.“Este é aquele sítio que os vegans vão amar, claro”, garante, até porque têm aqui a oportunidade de pedir uma pizza bem recheada, ao invés da marinara sem queijo a que ficam sujeitos numa pizzaria tradicional. “Mas os não vegans também não vão estranhar e podem até ser conquistados”, acredita um dos quatro gerentes do espaço.

É que o mais difícil aqui foi encontrar um queijo que se parecesse em sabor e textura àquele que estamos habituados. E — podemos comprovar — enganaria até o maior fã de mozzarella.

Vizza New Age Pizzabar

Mostrar Esconder

Morada: Praça das Flores, 57, Lisboa
Telefone: 924 318 145.
Horário: 19h-24h. Fecha segunda e terça-feira

 

Mas Ricardo não quer ter “a pizzaria vegan”, ainda sabendo que é a única do País. “Mas olha os meus ténis, são de couro”, aponta, como prova que dentro da equipa cada um está a traçar o seu caminho, a ritmos diferentes. Nisto aparece Daniella Araújo, outra das sócias, “ela sim, da causa vegan”, refere Ricardo. “Aos poucos vamos todos chegar lá”, salienta a proprietária, que dirige também a Cosmonauta, empresa que cria apresentações de alto impacto para outras empresas.

A estes dois juntam-se ainda os respetivos namorados. Aliás, foi quando decidiu tirar um ano sabático e viajar com a namorada, Carol Wendy Thompson, que Ricardo decidiu ficar em Portugal. “Viajámos durante um ano pelo mundo e decidimos que iríamos ficar no sítio de que mais gostássemos. E foi Lisboa”. Com isto, falta só apresentar João Pedro Florence, de 30 anos, DJ.

Estes dois casais de brasileiros — ainda que com origem em vários outros países, algo que os apelidos denunciam — decidiram juntar as potencialidades de cada um e reuni-las todas num só espaço, neste caso, o Vizza.

O espaço está cheio de néons e a luz baixa ainda mais na hora de dançar

Ricardo, que trabalhou em publicidade e chegou também a ser dono de três restaurantes no Brasil, trata da cozinha. Carol migra do mercado da moda para dar um toque na estética do espaço que, por sinal, é digno de muitas fotos no Instagram. Há néons, luzes baixas, manequins, plantas, velas e uma parede que mantêm a pedra original com mais de 150 anos.

Com todos estes elementos, percebemos o porquê de Ricardo não querer passar a ideia de que o Vizza é só uma pizzaria. A vibe aqui é de festa e, se durante a hora de jantar, há sempre música a puxar já uma dança de ombro, é a partir das 23 horas, em determinadas noites, que a cozinha fecha e a hora é do DJ convidado, que põe música até às três da manhã.

A acompanhar a música estão os cocktails. Para já são dez, mas a lista vai crescer. Conte com mojitos, margaritas e gins, assim como sangrias, vinhos e cerveja. Mas e as pizzas? Ah pois, com tanta festa, quase que ficavam esquecidas.

São apenas seis: a Lady Mari (8€), a lembrar a marinara sem queijo; a Maggie (9€), uma marguerita clássica; a Smoked Shroom (13€), com queijo defumado, cogumelos, e cebola roxa; a Chinni’s (10€), com curgete, queijo mozzarella e molho de azeitonas; a Fanshy Take (14€), com cogumelos, queijo e azeite de trufa; a Sweet Onion (10€) que, segundo Ricardo, “ou se ama ou se odeia”, devido à mistura da cebola e do queijo com maple syrup.

Entrada há só uma e sobremesa também. Feita com quê? Pizza, claro. Para começar vem um cesto com aparas de pizza e três dips: pesto, molho de tomate e paté de azetona e, para acabar em grande, a maior das gordices: uma pizza doce feita com Nutella vegan, pistachio e açúcar em pó.

Nota importante: escusa de perguntar por talheres. Não há. “É pegar na fatia, dobrar a meio e comer”, explica Ricardo, que garante: “Vai sujar, mas é muito mais saboroso assim”.