Crónica

As minhas previsões para o desfecho de "Casados à Primeira Vista"

Não preciso de uma bola de cristal para adivinhar o que vai acontecer. A meio do espetáculo, o resultado é tão óbvio que só não vê quem não tem televisão.

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A Marta bem tenta, mas não superou a agressividade do Luís. E isso vai manter-se um problema até ao final da relação

A Marta bem tenta, mas não superou a agressividade do Luís. E isso vai manter-se um problema até ao final da relação

Nem tenho palavras para comentar o que aconteceu este domingo, 1 de dezembro. Não sei se a SIC perdeu a cabeça com a ideia de que estamos prestes a entrar nos loucos anos 20, mas esta é a única justificação para a palhaçada a que assistimos no último episódio de “Casados à Primeira Vista“.

Ora vamos recordar para quem não teve oportunidade de ver esta comédia digna de nota 0 no IMDb. Terminadas as conversas com os casais, ficamos a saber que há dois ex-concorrentes que querem dar uma palavrinha aos especialistas. Falamos de Pedro e de Liliana, que chegam com um sorriso tão rasgado que juro quase ter-lhes visto os molares.

Assim que se sentam no sofá, Liliana agarra na mão de Pedro e coloca-a sobre o seu joelho. E começa assim o “Fingidos à Segunda Tentativa”, uma peça de teatro capaz de rivalizar apenas com a festa de final de ano de uma turma de 1.º ano. Ela jura que o afastamento fê-los perceber como gostavam um do outro, ele acena pouco convicto mas esperançoso. Já eu sou obrigada a sair da sala para não atirar o comando contra a televisão.

Devemos desistir se não houver química no primeiro encontro?

A menos de um mês de chegar ao fim, “Casados à Primeira Vista” parece já ter dado tudo o que tinha para dar. Apesar de uma edição exímia, que nos deixa agarrados à televisão, convictos de que vai acontecer alguma coisa nova, a realidade chega e desilude-nos sempre. Eles bem tentam fingir que se vai passar qualquer coisa, mas não têm mais nada para nos dar.

E é por isso que não tenho dúvidas do que vai acontecer com cada um destes casais. Não preciso de uma bola de cristal para perceber o óbvio, todas as relações do programa estão condenadas ao fracasso e eu sei exatamente como vão terminar. Ora veja se concorda comigo.

Liliana e Pedro

Agora que regressaram ao “Casados à Primeira Vista”, não tenho dúvidas de que vão ficar até ao final. A minha única questão é se vão manter o teatro até ao final, ou se vão arrastar-se outra vez para uma relação marcada pela crítica constante. Ainda assim, ponho as minhas fichas que Liliana vai tentar ser querida com o Pedro durante algum tempo, até ele baixar as barreiras e ficar outra vez perdidamente apaixonado. Depois, vai acabar por voltar a atacá-lo, ele vai termina miserável e a relação chega ao fim.

Veredicto final: quando Diana Chaves lhes perguntar o que vai acontecer ao casamento após o programa, vão alegar personalidades incompatíveis e cada um vai à sua vida. Não prevejo sequer uma relação de amizade.

Bruno e Tatiana

O Bruno vai continuar a fingir que não gosta da Tatiana, fazendo com isso que o elefante esteja sempre presente no meio da sala. De todas as vezes que parar a meio antes de lhe tocar ou beijar, que pedir desculpa por dizer X ou Y, ou fizer uma piada com a situação, vai voltar a trazer o problema para a relação.

E a Tatiana não vai conseguir superar isto. É óbvio que ela fez um esforço enorme no início para lidar com a personalidade excessivamente apegada de Bruno, mas a bolha rebentou. E a Tatiana parece-me ser uma daquelas pessoas que, quando explode, não volta atrás.

Portanto, o Bruno continuará caído por Tatiana, e Tatiana continuará a piscar o olho ao Luís nos jantares de grupo. No final, vão escolher acabar a relação: Tatiana porque não quer manter o casamento, Bruno porque é obrigado a aceitar que ela não gosta dele.

Hugo e Inês

Há uns anos meti na cabeça que ia cozinhar a comida sem sal. Passei a viver à base de peixe e carne feitas no forno, que eram temperadas apenas e só com um fio de azeite. Resultado? Carne, peixe, vegetais, sabia tudo ao mesmo — a nada. O Hugo e a Inês são um bocadinho assim: servem para nos alimentarem, dão-nos muito pouco prazer na degustação.

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É óbvio o que vai acontecer: no último episódio, dirão que adoraram tudo, que foi uma experiência incrível e que repetiam tudo outro vez. Mas — sempre o mas — não há química suficiente para continuarem casados. A amizade mantém-se, o casamento termina em divórcio.

Paulo e Lurdes

Este acho que vai ser o único casal capaz de nos dar mais alguns momentos de drama até ao final. Não tenho dúvidas de que a Lurdes vai passar-se da marmita a qualquer momento, e este último domingo já deu para perceber que não faltará muito. A mulher acha-se a última bolacha do pacote e está com pouca vontade de abrir-se a outras pessoas. Já o Paulo começa a perder a paciência — e com razão — com tanta mulher mal preparada que se inscreve num programa destes.

Vejo-a a começar a moer-lhe o juízo muito em breve. Talvez sejam os únicos que possam não chegar mesmo ao final da experiência, e a minha única questão é mesmo quem é que escreve sair: Lurdes num ataque de fúria ou Paulo vencido pela exaustão.

Marta e Luís

A Marta bem tenta, mas não superou — nem vai superar — a agressividade do Luís. E isso vai manter-se um problema até ao final da relação. Mais ou menos cordiais — até acredito que se mantenham no nível máximo da cordialidade —, vão estar cada vez mais distantes até decidirem avançar com o divórcio. Razões para terminar? Quase consigo imaginar a sempre politicamente correta Marta a dizer algo como “Somos pessoas diferentes”. Corta para Luís a falar para as câmaras a dizer-lhe que a culpa foi toda dela.

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