“Tipo, sinto que isto não está a correr bem” ou “Tenho de me despachar porque, tipo, atrasei-me” são só alguns dos exemplos em que a palavra “tipo” é usada de forma involuntária e quase sempre por jovens. Mas porque é que dizem tantas vezes “tipo”? Agora há pelo menos uma teoria. E os especialistas dizem que isso pode ter que ver com a influência das redes sociais e à pobreza de vocabulário destes jovens.

Segundo escreve a SIC Notícias, apoiada nas informações avançadas pela Agência Lusa que chegou à fala com alguns especialistas, este é um impulso “provocado pelas redes sociais” e pela “pobreza lexical” que levam a que “o uso errado do substantivo masculino ‘tipo'” seja cada vez mais comum — fazendo até parte dos diálogos de livros de banda desenhada.

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Pelo menos nisto não há dúvidas: o uso incorreto do substantivo é já uma bengala linguística mais utilizada pelos jovens em Portugal.

Segundo Ana Maria Brito, professora de Linguística da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, a expressão “tipo” terá surgido de outra como “tipo de” que, segundo cita a SIC Notícias, “a pouco e pouco perdeu as proposições.”

“Está a tornar-se num bordão da fala, mais do que outros, como o ‘pronto’ ou o ‘pois’, transformando-se num marcador discursivo”, diz à mesma publicação. E explica que, na oralidade, estes bordões e marcadores do discursos são necessários para “estruturar o pensamento”.

Mas embora assuma que o uso do substantivo já se trate de uma moda, a professora argumenta ainda que o “facto de não ouvir” este tipo de discurso nas aulas que leciona é a prova de que os alunos “são capazes de mudar o chip e deixar de o dizer quando querem.”

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Ainda segundo a mesma publicação, citando a Agência Lusa, é José Manuel Resende, professor de Sociologia na Universidade de Évora, que aponta o uso da expressão “a um empobrecimento do uso da língua, tanto nas formas de escrever como de falar, fruto da aceleração do tempo impulsionado pelas redes sociais, o que obriga a uma economia da linguagem para comunicar.”

E conclui: “Usar a linguagem com expressão associada à corporalidade é um elemento de identificação de uns em relação aos outros. Não consigo avaliar se há alguma variabilidade conforme o grau de instrução, mas sei de sobrinhos e sobrinhas que usam o ‘tipo’ com os familiares num contexto de efervescência cerimonial, como um ritual identificativo, quando a mensagem tem de ser aceleradamente transmitida.”