Foi na sexta-feira, 29 de novembro, que Jair Bolsonaro, atual presidente do Brasil, voltou a insinuar, ainda que sem provas, o envolvimento de Leonardo DiCaprio nos incêndios na Amazónia. À saída do Palácio da Alvorada, em Brasília, o presidente foi questionado por uma cidadã sobre o facto de haver mão criminosa nos fogos. Bolsonaro não hesitou: “O Leonardo DiCaprio é um cara legal, não é? Dando dinheiro para deitar fogo à Amazónia”.

Mas tudo começou um dia antes quando, durante a transmissão de um vídeo em direto para o Facebook, acusou o ator de ter doado dinheiro à World Wide Fund for Nature (WWF), uma organização não governamental (ONG) de cariz ambiental, para financiar as queimadas da Amazónia.

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“O pessoal ali da ONG fez o que era mais fácil: colocaram fogo no mato. Tiraram foto, filmaram, mandaram para a ONG [WWF]. A ONG divulgou aquilo, fez campanha contra o Brasil, entrou em contacto com o Leonardo DiCaprio, que então doou milhares para essa ONG. Uma parte [da verba] foi para pessoal que ateou fogo”, terá dito.

Também aqui faltaram provas e não demorou muito até que a WWF refutasse estas informações. Segundo escreve o “Jornal de Notícias”, a ONG frisou não ter tido acesso a nenhuma fotografia e negou ter recebido doações de DiCaprio. “Essas informações que estão a circular não são verdadeiras”, reagiu um porta-voz da WWF.

A ONG frisou também que não adquiriu nenhuma foto ou imagem da Brigada, nem recebeu doações do ator Leonardo DiCaprio, acrescentando: “Essas informações que circulam não são verdadeiras”.

No entanto, agora foi a vez de o ator reagir às acusações e fê-lo através de um comunicado oficiado publicado este sábado, 30 de novembro, na sua página oficial de Instagram.

“Nesta altura de crise na Amazónia, o meu apoio vai para os cidadãos do Brasil que se encontram a reunir todos os esforços para salvar o seu património natural e cultural. Eles são um exemplo incrível e comovente de coragem e de humildade no compromisso e na paixão necessária para salvar o meio ambiente”, começa por dizer.

E continua: “O futuro destes ecossistemas insubstituíveis está em jogo e orgulho-me de estar do lado destes grupos que os protegem. Embora merecedores de apoio, não financiamos as organizações visadas. Continuo empenhado em apoiar as comunidades indígenas brasileiras, governos locais, cientistas, educadores e o público em geral.”

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As acusações de Bolsonaro surgem no decorrer da detenção de quatro ambientalistas que, segundo a investigação da Polícia Civil do Pará, eram suspeitos de ter provocado incêndios por dinheiro.

Os ambientalistas foram então libertados. Mas ainda antes, em agosto, altura que os incêndios na Amazónia estavam no auge, Leonardo DiCaprio anunciara a doação de cerca de 4.5 milhões de euros a organizações ambientais juntamente com Brian Sheth e Lauren Jobs, viúva de Steve Jobs.