Este fim de semana vai ser o último em que Eniola Aluko veste a camisola da Juventus. “Quando cheguei no verão de 2018 vim atraída por um grande clube que ainda estava a dar os primeiros passos enquanto equipa feminina. Dentro do campo atingimos o sucesso rapidamente, mas fora do campo parece-me justo dizer que as coisas não correram assim tão bem”, começou por escrever a futebolista num artigo de opinião publicado no jornal britânico “The Guardian”.

Por acreditar que fazer parte da Juventus tenha sido um passo importante na sua carreira, e reconhecer que não seria possível sem todos os funcionários da equipa que a acompanharam até aqui, garante que a decisão de deixar o clube a 18 meses do fim do contrato foi uma decisão tudo menos fácil.

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“Reconheço que o meu foco deve estar nos próximos três ou cinco anos da minha carreira e não nos próximos meses, mas isto também reflete o facto de que, fora de campo, os últimos seis meses foram muito difíceis”, e queixa do racismo que se sente em Itália.

“Nas minhas folgas, costumava visitar outras cidades porque sou muito curiosa. Gosto de ir a eventos, galerias, lojas e não há muita variedade em Turim. Mas mais importante ainda, Turim parece parada no tempo em relação à abertura a todo o tipo de pessoas. Fartei-me de entrar em lojas e sentir que o dono estava à espera de que eu o fosse roubar”, lamenta.

E continua: “Foram várias as vezes em que cheguei ao aeroporto de Turim e tive os cães farejadores da segurança a tratarem-me como se fosse o Pablo Escobar. Não me senti vítima de racismo por parte dos fãs da Juventus ou durante o meu percurso na liga feminina de futebol, mas há um problema em Itália e no seu futebol. E é a resposta a esse problema que me preocupa.”

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O último jogo de Eniola Aluko acontece este domingo, 1 de dezembro, no qual a Juventus defronta a Fiorentina que se sagrou vice-campeã na época anterior. “Este vai ser um grande jogo na disputa pelo título. Estou ansiosa por dizer adeus aos adeptos da Juventus, que desde sempre me mostraram respeito e carinho”, escreve.

O texto da jogadora surge numa altura em que o racismo no futebol italiano tem vindo a ser noticiado em todo o mundo. O episódio mais recente teve Mario Balotelli, o avançado de 29 anos do Brescia, como protagonista, quando este atirou a bola para a bancada depois dos insultos recorrentes a que estava a ser sujeito.