Um novo inquérito organizado pela BBC Radio 5 revela que um terço das mulheres britânicas abaixo dos 40 anos foram sujeitas, contra a suas vontades, a episódios de asfixia, bofetadas ou cuspidelas durante relações de sexo consensual. No total, foram entrevistadas mais de duas mil mulheres no Reino Unido com idades compreendidas entre os 18 e os 39 anos e cada pessoa tinha de responder apenas a duas perguntas: se alguma vez tinha vivenciado este tipo de episódios e se tinha sido algo expressamente comunicado entre ambos.

Os dados são reveladores. Mais de um terço das mulheres inquiridas (38%) revelou que estes episódios aconteceram e que, pelo menos algumas vezes, não foram pedidos nem desejados.

Embora 31% das mulheres tenham revelado que estes episódios nunca foram indesejáveis, pelo menos 20% das entrevistadas dizem ter ficado incomodadas ou amedrontadas com a violência durante a relação. Anna, uma das mulheres inquiridas pela BBC, revela que tudo começou com algumas bofetadas e puxões do cabelo.

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“Fiquei chocada e a sentir-me extremamente desconfortável e intimidada. Se alguém te esbofeteasse ou te asfixiasse na rua, os dois gestos seriam considerados agressão. Desde aí que muitos dos homens com quem tenho estado tentaram, pelo menos uma vez, uma ou múltiplas combinações deste tipo de atos”, revela.

Segundo escreve o jornal britânico “The Independent”, os vários defensores deste inquérito garantem que os resultados podem ajudar a mostrar como a violência em relações consensuais se tem vindo a normalizar nos últimos anos. Fiona McKenzie, responsável pela plataforma “We Can’t Consent to This” — onde são mostradas todas as mulheres mortas ou violentamente agredidas pelos companheiros —, diz à mesma publicação que estes atos estão a tornar-se “chocantemente e terrivelmente comuns”.

Mas McKenzie vai ainda mais longe e diz que as conclusões deste inquérito vão ao encontro daquela que tem sido a informação reiterada pela polícia e por grupos de apoio a vítimas de violência doméstica. “O que sinto é que esta é uma atrocidade que está a ser cometida contra as mulheres a um escala muito grande”, e que talvez a normalização da violência sobre as mulheres esteja a ser perpetuada pelos media e pela pornografia.

“As mulheres têm-nos dito que se sentem envergonhadas por praticar sexo convencional ou por não quererem sexo com violência e dizer algo que vá de encontro a isto é negligenciar com base nas preferências ou nos fetiches de um casal”, conclui.

A lei contra a violência doméstica é “completa”. Então, porque é que está a falhar tanto?

Ainda à mesma publicação, Adina Claire, vice-presidente da Women’s Aid, uma plataforma de apoio a mulheres, garante que estes dados revelam como a violência sexual faz parte da vida de mulheres com menos de 40 anos.

“Este inquérito indica o quão frequente é a presença de violência sexual nas relações de mulheres com menos de 40 anos, em que os parceiros com quem têm sexo consensual acabam a humilhá-las ou a assustá-las. O facto de haver sexo consensual não minimiza a seriedade de esbofetear ou asfixiar alguém.”