O novo filme do realizador Martin Scorsese “O Irlandês” chegou à plataforma de streaming Netflix a 27 de novembro, quarta-feira, não tendo tido estreia nas salas de cinema portuguesas, conforme anunciado em setembro.

Com um orçamento superior a 150 milhões de euros, o filme que é baseado numa história verídica — e que inclui no elenco os históricos Robert DeNiro, Al Pacino ou Joe Pescinão precisou de ser exibido no mercado português (ao contrário do filme “Roma”), uma vez que já tinha atingido as quotas mínimas para estar apto a concorrer aos Óscares, tal explicou, pela altura, fonte oficial do Cinema City Portugal à MAGG.

No dia que sucede a estreia do filme de cerca de três horas e meia, o Cinema Ideal mostrou-se publicamente indignado face à decisão que a plataforma de streaming tomou. Num comunicado enviado à imprensa e na página de Facebook, o espaço — a quem foi proposta (sem resultado) a projeção do filme, mas apenas para a imprensa — considerou que “a decisão da Netflix de não autorizar a estreia de “O Irlandês” em Portugal “é uma absoluta falta de respeito pelos portugueses que gostam de cinema”, falando ainda em “afronta desnecessária e escusada.”

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Entre outras coisas, sublinhou também o facto de não ser verdade que o mercado português não mostrou interesse em projetar o filme ao público: “Não é por isso de todo em todo verdade que os cinemas em Portugal não quisessem estrear o filme. O Cinema Ideal sempre esteve interessado e queremos crer que os cinemas que há um ano estrearam o filme ‘Roma’ teriam o mesmo interesse.”

Na página de Facebook, o Cinema Ideal escreveu:

“Está a partir de hoje disponível na plataforma Netflix e em exclusivo para os seus clientes o filme ‘O Irlandês’ de Martin Scorsese. Apesar de estrear em inúmeros países em salas de cinema (como aqui ao lado na vizinha Espanha em 50 cinemas ou em Itália em 100), em Portugal isso não acontece.

O Cinema Ideal, que já há um ano tinha estreado o filme ‘Roma’, há muito que fez as diligências necessárias e suficientes para demonstrar o seu interesse em estrear o filme.

Ainda há poucas semanas, fomos contactados pela agência de comunicação que em Portugal é porta-voz da Netflix para a realização de uma projeção do filme restrita à imprensa e à crítica.

Respondemos que teríamos todo o gosto em fazê-la, caso pudéssemos estrear o filme. Não vemos como poderíamos estar a deixar de mostrar o filme a um número restrito de pessoas numa sala de cinema, quando a generalidade dos espectadores de cinema não o poderiam fazer.

Mais uma vez, e formalmente, a porta-voz da Netflix recusou a estreia do filme no Ideal. E foi fazer essa sessão para uma sala de espetáculos de Lisboa.

Não é por isso de todo em todo verdade que os cinemas em Portugal não quisessem estrear o filme. O cinema Ideal sempre esteve interessado e queremos crer que os cinemas que há um ano estrearam o filme ‘Roma’ teriam o mesmo interesse.

O cinema vive hoje em dia uma situação de grande turbulência no que diz respeito às condições da sua circulação e produção, e as salas de cinema são as mais diretamente ameaçadas por essa ‘turbulência’. Mas tanto quanto estamos preocupados com o que ‘estreias’ como esta podem prejudicar a cronologia tradicional de difusão dos filmes, não deixamos de acreditar que os nossos espectadores e em geral todos os que gostam de cinema quereriam ver o filme de Martin Scorsese numa sala de cinema.

A decisão da Netflix de não autorizar a estreia de ‘O Irlandês’ em Portugal é uma absoluta falta de respeito pelos portugueses que gostam de cinema. Mesmo num país em que a ausência de uma clara, afirmativa e consistente política pública para as salas de cinema continua por concretizar, esta é, digamo-lo claramente, uma afronta desnecessária e escusada.”