São muitos os que optam por embrulhar as malas em camadas de plástico antes de realizar uma viagem de avião, com a ilusão de que esse sistema protege os seus pertences e evita a manipulação da bagagem.para protegerem os seus pertences pessoais e evitar manipulação de bagagem. Mas o plástico colocado não só não impede que as malas se partam, como também há poucas evidências que realmente seja uma forma de proteger o que vai lá dentro.

Agora, há até um estudo que indica que a probabilidade de algo desaparecer é três vezes maior se este serviço de embalagmento for usado. Mas já lá vamos. A única certeza para já tem que ver com o impacto ambiental desta prática.

No aeroporto de Madrid, BullWrap e SecureBag são duas empresas de plástico que operam este serviço durante 24h durante o ano — sem contar as malas que são plastificadas ilegalmente na rua. Um dos funcionários do SecureBag, afirmou ao jornal “El Español” que na época baixa embala cerca de 40 malas.”A coisa muda no verão, também quando o Natal está a chegar. Na época alta, podemos fazer cerca de 70 ou 80“, explica, e acrescenta que num turno de 8 horas nas máquinas que estão perto do controle de passageiro, o número de malas plastificadas pode aumentar para 120 a 130.

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O serviço custa 7 a 10 euros e no total cada mala grande gasta cerca de 12 metros de plástico de um rolo de um metro de largura. Esta quantidade de plástico multiplicada por cerca de 40 embalagens plastificadas em três máquinas num turno normal, chega aos 1440 metros quadrados de plástico gastos por dia. Os valores são absurdos. E se contabilizar o total de 16 máquinas plastificadoras presentes no aeroporto, o número de plástico desperdiçado por dia passa para 22.400, o que corresponde a 21 piscinas olímpicas . A responsável pelos plásticos do Greenpeace, Alba García, afirma que a ONG não sabe a quantidade exata dos resíduos gerados por este serviço. E há inclusive companhia aéreas, como é o caso da Emirates, que incentivam os clientes a esta prática.

As empresas indicam que o plástico é reciclado. No entanto, o jornal “El Español” tentou contactá-las e não obteve resposta. A verdade é que nada garante que as pessoas, depois de desembarcarem, procurem mesmo um ecoponto para reciclar o plástico.

A juntar a isto, está um outro estudo que indica que, além de este serviço não ser o melhor para o ambiente, também não traz vantagens a nível da segurança. A investigação, realizada em 2010 pela Organização de Consumidores e Usuários (OCU) e outras associações de consumidores, indica que a probabilidade de algo desaparecer é três vezes maior se esse serviço de embalagem for usado. A pesquisa revelou que 3,4% dos passageiros que plastificaram suas malas perderam algum objeto, enquanto que apenas 0,9% dos que não plastificaram a mala perderam.

A organização responsável pelo estudo afirma: “Esse tipo de proteção implica uma despesa óbvia de recursos fósseis. Um cadeado é mais eficaz e pode ser reutilizado. Se também levarmos em conta que ela não oferece maior segurança, é apenas um produto de uso único que é difícil de reciclar”, segundo  o jornal “El Español“.