Dormir com alguém que ressona é como ter o alarme em snooze a noite toda. Neste teste à paciência, quando a almofada já não é suficiente para abafar o ruído, um leve pontear no parceiro debaixo dos lençóis ou uma pancadinha nas costas servem para pôr fim ao barulho. Mas a probabilidade de ele voltar é grande.

Quem partilha cama com pessoas que ressonam — sobretudo alto e frequentemente — tem mais potencial para desenvolver problemas de saúde físicos e mentais. E é a ciência que o diz.

Depressão, ansiedade e memória

De acordo com uma investigação de 2015, publicada na Oxford Academy, mais grave do que dormir menos, é o facto de o sono estar constantemente a ser interrompido.  O estudo, para o qual os participantes foram expostos a três noites consecutivas em que foram acordados propositadamente várias vezes, mostrou que várias doenças podem ser potenciadas por este fator: aumento do risco de depressão e de ansiedade, assim como de vir a desenvolver problemas de obesidade ou de AVC.

É que com as horas de repouso a serem constantemente quebradas, o corpo não recupera totalmente e não cumpre na íntegra as funções biológicas que decorrem neste período. A memória não se consolida e o metabolismo fica desregulado. A pessoa ficará mais irritada, fator que pode influenciar as suas relações.

Dormir com o telemóvel ao lado faz mesmo mal?

Relações em perigo

Outra investigação, de 2006, publicada na Science Daily, quis provar o efeito que este aspeto tem nos relacionamentos: passar a noite a ter de acordar alguém que está a fazer barulho enquanto dorme faz com que o casal se aborreça, sendo que vários acabam por escolher dormir em quartos separados. O estudo avança que, além de as tentativas de reduzir o barulho falharem (tampões nos ouvidos ou outro tipo de aparelho), muitos dos casais acabam por se divorciar.

Audição comprometida

A audição também fica comprometida: um estudo de 2003 avaliou o impacto que ressonar teria nos casais, com idades dentre os 35 e os 55, nos quais um dos elementos sofria de apneia severa. A conclusão revelou que este estado não afetava muito quem ressonava, mas, por outro lado, mostrou que todos os parceiros envolvidos no estudo sentiam as consequências, sobretudo no ouvido que era exposto ao ressonar. O efeito, conclui a investigação, é equivalente a dormir 15 anos junto de uma máquina industrial.

Por todos os motivos, e pela saúde dos dois elementos do casal, é importante que esta questão se resolva ou, pelo menos, suavize. Pessoas que sofrem de apneia severa também correm riscos e por isso deve consultar um médico. A curto prazo, pode tentar dormir de lado e desobstruir as vias nasais — isto  tem potencial para reduzir o ruído.