Os valores são preocupantes e criaram um alerta entre os cientistas. A produção de maçãs selvagens, que crescem nas montanhas do Cazaquistão e fazem fronteira com o oeste da China, tem vindo a diminuir nos últimos anos. Segundo escreve o jornal “The Independent” em 2009, os pomares que abrigam estas árvores de fruto diminuíram 90% nos últimos 50 anos.

Dez anos depois, o cenário não é mais animador. Mas antes de explicarmos a forma como as alterações climáticas estão a pôr em risco as maçãs vermelhas, é importante perceber de onde vem a cor. É tudo uma questão de genes, mas também de temperatura. As enzimas transformam certas moléculas em pigmentos — as antocianinas — que dão cor às maçãs, tal como à batata roxa, às uvas e às ameixas, segundo explica David Chagne, geneticista do instituto Plant and Food Research na Nova Zelândia, ao canal BBC.

Mais: um estudo desenvolvido pela Universidade de Maryland, Estados Unidos, descobriu que a pele das maçãs está associada a uma proteína, MYB10,  que regula a forma como o gene se expressa. Quanto mais vermelha é a maçã, mais quantidade de MYB10 tem presença na sua composição genética.

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Mas a cor da maçã também depende da temperatura, como já referimos. E é este fator que pode levar ao desaparecimento deste fruto. Para que uma maçã seja totalmente vermelha, as temperaturas têm de estar frias, para que as antonicininas, que dão cor às maçãs, não caiam.

Numa viagem aos Pirenéus, David Chagne descobriu juntamente com alguns colegas que as maçãs vermelhas estavam pálidas após um mês particularmente quente. Por este motivo, refere que provavelmente será cada vez mais difícil encontrar maçãs vermelhas. No entanto, o geneticista procura produzir maçãs vermelhas mesmo que seja necessário um programa dispendioso, segundo escreve a BBC.