Ninguém esquece a professora primária, mesmo que não a torne a ver. É normal: é ela que nos ensina a ler, escrever, fazer contas de somar, de subtrair, de dividir. É ela que nos dá as primeiras luzes sobre o corpo humano, sobre como é que a natureza funciona, sobre a geografia do sítio em que vivemos. É ela que nos dá as armas essenciais para interpretar e redigir textos. Dependendo dos tempos, também pode ter sido autora de umas reguadas, mas isso agora não interessa. O que importa é que ela se crava na nossa memória, mesmo que depois desapareça.

No caso dos alunos que frequentaram a sala 1 da Escola Primária Maximinos, em Braga, entre 1985 e 1989, foi diferente. Três décadas depois de terem frequentado este estabelecimento, reencontraram a professora Armanda, aposentada desde meados dos anos 90, para um almoço, conta o jornal “O Minho”, que descreve a iniciativa como “rara ou possivelmente nunca vista em todo o País.”

“É uma sensação de alegria, de muita felicidade e de enorme gratidão a todos estes meus alunos. Fizeram-me muito mais feliz e ter realmente a certeza de que valeu a pena ser professora”, disse Armanda, citada pelo mesmo jornal. A docente, prestes a fazer 80 anos, acrescentou: “É muito bom ver que para todos eles a escola primária foi muito importante.”

As respostas mais mirabolantes que os alunos escrevem nos testes

O encontro foi iniciativa de antigos alunos, que são hoje adultos feitos, a ocupar cargos diversos, seja na medicina, jornalismo, engenharia, programação informática.

Liliana Oliveira, engenheira civil, foi uma das pessoas encarregue por reunir a antiga turma. “É muito emocionante, o reviver de bons momentos e de boa disposição. Aliás, sempre que penso na professora Armanda, salta-me à memória a boa disposição dela e a capacidade que teve de ensinar-nos brincando.”

E reforça a tal ideia de que ninguém esquece a professora primária. “Transmitiu-nos sempre a ideia de que aprender é bom. É crescer”, disse a ex-aluna. “Ela saiu de cena mas nunca saiu do espetáculo. Transmitiu-nos valores que ficaram para a vida”, acrescentou, numa alusão ao facto de a professora Armanda ter sido sempre presente no percurso dos alunos, mesmo após estes deixarem de frequentar as suas aulas.

Também Luís Pedro Gomes esteve na organização deste almoço. Corrobora a ideia de Liliana Oliveira: “A professora Armanda continua a ser um grande exemplo para todos nós. Todos temos usado no nosso dia a dia lições aprendidas com ela”, disse ao mesmo jornal.

O antigo aluno, hoje programador informático, conta ainda que foi através do Facebook e de vários telefonemas que foi encontrando os antigos colegas de turma.

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Miguel Rocha é hoje jornalistas na Rádio Vale do Minho e não esquece o importante contributo de Armanda no desenrolar da sua vida. “Foi com a professora Armanda que aprendi as letras do alfabeto. A ler bem. A compor textos. Foi ela que me mostrou que a língua portuguesa é algo simplesmente maravilhoso”

João Pedro Araújo não pode estar presente no almoço por motivos profissionais, mas o jornal “O Minho” não deixa de o referir: é hoje o diretor-clínico do clube de futebol Sporting Clube de Portugal.

“O João Pedro era um aluno muito completo. Muito sensível e atento. Era muito cordial com todos os colegas”, recordou a professora Armanda. “Estava sempre disposto a dar o melhor de si. Era mesmo um amigo de verdade”.

Toda a turma concorda. Armanda foi uma “professora de excelência”, sendo descrita ainda como uma das “melhores profissionais de ensino do seu tempo.”