Temos más notícias, caro leitor. É que quando chegar ao final deste o artigo, o mais provável é ter vontade de subscrever a mais um serviço de streaming. Falamos da Disney+ que, embora tenha sido lançada esta terça-feira, 12 de novembro, nos Estados Unidos da América, só chega à Europa a 31 de março do próximo ano. Além de um catálogo composto com todas as temporadas de “Os Simpsons” e filmes mais recentes como “Vingadores: Endgame” e “Toy Story 4”, o serviço conta ainda com conteúdo novo e original que promete aliciar subscritores em todo o mundo.

É o caso de “The Mandalorian”, a nova série em formato live-action pertencente ao universo fantástico criado por George Lucas e que agora é transportado para a televisão com sabres de luz e naves espaciais. E porque há uma geração “Star Wars”, composta por pessoas que colecionam cromos, pósteres, bonecos e que sabem a ordem correta de todos os filmes da saga, espera-se que esta seja uma das séries que mais discussão vá gerar por esta internet fora. E facilmente se percebe porquê.

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Além de a história passar-se entre a trilogia original e a mais recente (que ainda ninguém percebeu muito bem sobre o que realmente é), tem um elenco de luxo e que já é conhecido do público depois de ter figurado em algumas das séries mais importantes dos últimos anos.

Pedro Pascal (“A Guerra dos Tronos”), Diego Luna (“Narcos”) e Giancarlo Esposito (“Breaking Bad”) são só alguns dos atores envolvidos no projeto que, segundo se sabe, vai acompanhar um caçador de recompensas após a queda do império — tal como é mostrado no filme “Star Wars: Episódio VI — O Regresso de Jedi”, lançado em 1983.

Depois do lançamento do serviço, que ficou marcado por problemas técnicos e que impediu o acesso a alguns utilizadores, os críticos internacionais já tiveram tempo de digerir o primeiro episódio e, regra geral, o consenso tem sido muito positivo.

O que andam a dizer os críticos da nova série  de “Star Wars”?

Segundo a revista digital “The Verge”, a nova série criada por Jon Favreau (“O Rei Leão”), e que está já avaliada com 9,2 no IMDb, mostra que “a saga de ‘Star Wars’ também resulta no pequeno ecrã”.

“O universo de ‘Star Wars’ tem funcionado muito bem no cinema — até porque os filmes originais praticamente inventaram o conceito moderno de blockbuster de verão. Mas será que consegue competir com os restantes dramas televisivos?”, é a pergunta lançada pela publicação.

E continua: “Com apenas um episódio lançado, é difícil saber se a Disney acertou na fórmula. Mas uma coisa é certa: ‘The Mandalorian’ chegou com força e é a melhor prova até agora de que o universo da saga é capaz de funcionar sem estar rotulado como conteúdo para crianças e onde está dependente do aparecimento de Luke Skywalker na história.”

Já a revista “CNET” aplaude a realização de Jon Favreau que é capaz, através do trabalho e do movimento da câmara, de pôr o espectador no centro da ação ao estilo do chamado western do espaço.

“A série introduz-nos naquele mundo estranho e empoeirado onde esta civilização de Mandalorians habita. Embora haja menções e referências que nos são familiares, o tom da série lembra-nos de que estamos em território desconhecido. O uso subtil da câmara tremida em vários planos em conjunto com a luz e a sombra são suficientes para definir o tom e a estética do episódio”, lê-se.

A revista “Vox” também elogia a atmosfera que vai sendo criada no primeiro episódio de “The Mandalorian” e diz que este facilmente poderia ser um filme qualquer que se catalogasse como um spaghetti western. “A atmosfera da série é, mais do que uma produção de ‘Star Wars’, próxima de um qualquer spaghetti western. É fácil visualizar uma versão desta série feita nos anos 60 e que tenha Clint Eastwood como protagonista.”

Mas a mesma publicação aproveitou ainda para elogiar a curta duração do episódio, especialmente numa altura em que a séries têm vindo a ficar cada vez mais longas. “Numa altura em que o mercado está saturado com várias séries em streaming, foi um alívio ver que o primeiro episódio de ‘The Mandalorian’ durava menos de 40 minutos. Em séries mais focadas no ambiente do que nas personagens, talvez apostar numa curta duração seja uma boa decisão”, conclui.

Mas nem tudo é positivo e o jornal britânico “The Guardian” atribuiu duas estrelas (em cinco) à estreia da série, criticando algumas decisões questionáveis — como o facto de Pedro Pascal aparecer sempre mascarado no arranque de “The Mandalorian”.

“Pedro Pascal dá vida ao caçador de recompensas. Porém, temos de acreditar na palavra da equipa de produção que o lista no elenco. É que, na verdade, ao longo dos 40 minutos, o rosto de ator está sempre coberta por uma máscara que antes era usada por Fetts Jango e Boba. A identidade da personagem permanece escondida e qualquer ligação com Fett é subtilmente ignorada”, lê-se na mesma publicação.

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O mesmo jornal diz ainda que, depois de ver o primeiro episódio, a ideia de criar “um spaghetti western mas no espaço funciona melhor na teoria do que na prática”, embora conceda que haja oportunidade para melhorar. É que ainda faltam mais nove episódios que, esperam os fãs, sejam capazes de aprofundar as personagens e dar a conhecer um pouco mais deste universo novo e misterioso.

“The Mandalorian” promete ser a série âncora da nova plataforma de streaming da Disney. Em Portugal ainda não há data de estreia anunciada, mas espera-se que, à semelhança do que vai acontecer em Espanha, França e Reino Unido, fique online a 31 de março.