Crónica

Os meus 5 ódios de estimação em “Casados à Primeira Vista”

Já não tenho paciência para a Liliana, o Bruno precisa de ter calma e Luís, desculpa mas há aí qualquer coisa que não bate certo.

Ainda não consegui perdoar a Anabela por ter deixado o Lucas. Começo assim mesmo, à bruta, porque ou é para falarmos a sério sobre isto ou não. Não consigo compreender como é que alguém se inscreve num programa destes e desaparece durante uma semana sem dar cavaco a ninguém. Fiquei mesmo com pena do Lucas, toda a situação foi humilhante.

Uma fonte próxima à concorrente veio explicar recentemente que a culpa foi da produção, que lhe arranjou uma casa com dois quartos mas trancou a segunda divisão para que ela tivesse que dormir com Lucas — ou na sala. Percebo que tenha sido chato, mas vá lá, Anabela. O programa sempre foi assim, não iriam abrir uma exceção só porque és tu. Lamento, mas continuo sem conseguir entender.

O que levou Anabela a sair de casa?

A segunda temporada de “Casados à Primeira Vista” está ao rubro. Agora que já passaram episódios suficientes, e que a “máscara” caiu à grande maioria dos casais, todos nós começamos a identificar os nossos favoritos. O meu coração foi para Pedro, que é sem dúvida a pessoa mais equilibrada e amorosa do programa. Já o troféu de melhor casal vai mesmo para a Inês e o Hugo, que entraram com o mindset correto, sabem respeitar-se e são, acima de tudo, bons amigos. Gostava que houvesse ali mais qualquer coisa, mas pronto. Isto já são devaneios de uma romântica incurável.

Lamechices à parte, vamos agora para o que interessa: os ódios de estimação. Isto é tudo muito bonito, mas reality show que se preze — ou experiência social, chamem-lhe o que quiserem — tem de espoletar ódios. E eu tenho os meus, acreditem. Vamos lá?

5.º lugar: Luís

Há qualquer coisa no Luís que me faz lembrar as séries de serial killers da Netflix. Com todo o respeito, podíamos estar perante um Ted Bundy versão australiana, que consegue ser encantador e charmoso, mas tem uma faca e uma máscara do “Scary Movie” debaixo da almofada.

“Casados à Primeira Vista”. Lurdes e Paulo querem processar o programa

Brincadeiras à parte, o Luís parece ser um bom rapaz. É aventureiro, comunicativo, simpático. Só que há ali qualquer coisa que parece não bater certo no pacote aparentemente perfeito. Obviamente que estava a brincar, não acho que seja um assassino em série (apesar de ter um olhar um bocadinho assustador), mas também não me parece ser tão perfeito quanto aparenta. Chamem-lhe feeling. Acho que ainda se vai revelar.

Também achei que ele foi um bocadinho sacaninha na última cerimónia de compromisso, quando criticou a Marta à frente dos especialistas, dizendo que achava que ela já tinha tomado uma decisão sobre o relacionamento. Podiam ter falado sobre o assunto antes, a rapariga foi claramente apanhada desprevenida. Comunicação, jovens, comunicação. Ainda se lembram disso?

4.º lugar: Lurdes

Tal como o Luís, a Lurdes tem ali qualquer coisa que me deixa de pé atrás. Não consigo achá-la genuína. É divertida, sim, tem piada. Mas genuína? Não acho. Também não gostei da forma como lidou com todo o relacionamento com o António — o homem foi pintado como sendo um pequeno demónio, o que a mim me pareceu um bocadinho exagerado.

Acredito que o Paulo tenha tido vontade de continuar porque quer mesmo descobrir o amor da sua vida. Quanto à Lurdes, pergunto-me se não quereria apenas continuar a aparecer na televisão. Cheira-me a wannabe Graça que, lamento, não chega nem perto.

Saudades da Graça, já agora.

3.º lugar: Anabela

Já expliquei que não consegui superar o facto de a Anabela ter abandonado o Lucas. Acima de tudo, acho que ela não estava emocionalmente preparada para esta experiência, e acabou por não saber lidar com nada do que aconteceu. Também sinto que foi muito gratuita a destruir o marido em alguns momentos — tirou-lhe uma pinta de machista e conservador que talvez tenha sido um bocadinho exagerada. Pelo menos ele nunca te pediu para lhe desfazeres a mala e arranjares o peixe — não é, menino Bruno?

2.º lugar: Bruno

Bruno, Bruno, Bruno. Em primeiro lugar, o sentido de humor tem muito que se lhe diga — em particular quando é usado como desculpa para que toda e qualquer atrocidade seja perdoada só porque… “ah ah, estava a brincar”.

Fiquei logo preocupada com o Bruno quando, no vídeo de apresentação, disse que procurava uma mulher fisicamente “loira, branquinha”, de “olhos azuis para me dar filhos bonitos” e que não passasse dos 55 quilos. Não, lamento, não acredito que estivesse a brincar. E o pedido tem uns lamirés de xenofobia e machismo.

Isto piora quando o vemos pedir à mulher que lhe desfaça a mala ou que lhe arranje o peixe. Bruno, vivemos no século XXI, está bem? Pedires à tua mulher que te arranje o peixe não é apenas retrógrado, é estranho. Também queres que ela te tire as gordurinhas da carne, te passe as camisas a ferro e massaje os pés todas as noites? Isso grita complexo de Édipo — e essa história terminou em tragédia.

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Se tudo isto já era mais do que suficiente para me deixar com uma veia saliente na testa, eis que Bruno parece transpirar cola UHU — e está sempre a oscilar entre as personagens Tristeza, Alegria e Medo do filme “Divertida-Mente”. Já não há paciência para tantos toques, abraços e festinhas gratuitas, da mesma forma que já não há paciência para tantos pulos histéricos de alegria, violentamente substituídos por um ar de carneiro mal morto sempre que leva um chega para lá.

Vá lá, Bruno. Quando uma mulher te diz “gostava que tivesses opinião própria”, é porque algo de muito errado se passa. Tu consegues ser melhor, ok?

1.º lugar: Liliana

Não tenho a menor dúvida de que a Liliana teve uma vida difícil. Enquanto continuar a usar isso como desculpa para ser uma pequena besta cruel com toda a gente, porém, não há pena que a salve do primeiro lugar dos meus ódios de estimação.

Estamos perante uma pessoa altamente tóxica, que não perde uma oportunidade para destruir o Pedro. É inacreditável: o rapaz é, literalmente, preso por ter cão e preso por não ter. Se diz “a”, é porque diz “a”. Se diz “b”, é porque diz “b”. Se não diz nada, é porque não diz nada.

O pior é que já é visível a forma como este relacionamento começou a moldar Pedro. O concorrente extrovertido e apaixonado que vimos nos primeiros episódios foi substituído por alguém mais triste, abatido e sempre com medo de abrir a boca.

O mais irritante nesta história toda é que ele está genuinamente a tentar, a ouvir os especialistas, a absorver cada pérola de conhecimento na esperança de salvar esta relação. Não me parece que vá conseguir — infelizmente, a sua mulher consegue ser tão mazinha que nos faz achar que o Lord Voldemort só podia ser boa pessoa.

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