Há muito que dizer sobre os nove meses em que o corpo da mulher está a transformar-se para gerar uma nova vida. As costas doem, são poucas as posições para dormir, os enjoos são frequentes, o apetite altera-se. Os pés são pouco falados, mas a verdade é que também são bastante afetados durante a gravidez.

“A hiperlaxidez ligamentar (devido à ação hormonal) traduz-se num abatimento da pegada plantar (o pé fica mais plano) e esta laxidez, associada também ao aumento de peso corporal, provocam uma queda dos arcos do pé, alterando assim a biomecânica [estrutura]”, explica à MAGG a podologista Fátima Lopes Carvalho.

Além destes problemas, acrescenta-se à lista o edema (inchaço causado por retenção de líquidos) dos pés e das pernas, devido ao aumento do volume do útero que pode provocar uma pressão excessiva das veias do abdómen e consequentemente dificultar a circulação sanguínea.

Cátia Almeida, 34 anos, também passou por algumas destas situações na altura em que esteve grávida. Sete anos e duas filhas depois, esta mãe revela que antes de engravidar não sabia que este período podia causar problemas na saúde dos pés.

“Comecei a sentir algumas transformações nos pés a partir do segundo trimestre da gravidez, quando o peso começou a surgir”, conta Cátia, assistente num consultório médico, à MAGG. O aumento de peso é um fator que leva à destabilização do centro gravitacional do corpo, podendo causar uma maior pressão sobre os membros inferiores, como os pés, e o aparecimento de um pé plano.

E o que é que isto significa? “Caracteriza-se por um abatimento do arco interno do pé em diferentes graus, provocando um aplanamento da pegada plantar. Durante a gravidez este aplanamento deve ser avaliado e eventualmente compensado com tratamento ortopodológico para evitar a dor”, explica a podologista Fátima, diretora clínica do Centro Clínico do Pé.

Cada grávida é uma grávida

No caso de Cátia o aplanamento do pé não aconteceu, mas as dores e o desconforto causados pelo encravamento das unhas dos pés foram incomodativos o suficiente, causando dores e desconforto. Mas cada grávida é uma grávida e aquilo que aconteceu com Cátia Almeida pode ser diferente na gravidez de outras mulheres.

No seu caso, Cátia procurou um podologista para amenizar o problema, algo que Fátima Carvalho aconselha. Só que como a procura por um especialista nem sempre acontece, a podologista dá algumas dicas: as grávidas devem avaliar “em todos os trimestres a evolução da pegada plantar e efetuar a prevenção das possíveis complicações advindas da biomecânica característica dos pés”, refere.

A podologista enfatiza ainda que “é fundamental avaliar o tipo de pé que a mulher grávida apresenta no primeiro trimestre de gravidez”, de forma a prevenir que as complicações apareçam.

14 dicas para simplificar a chegada a casa de um recém-nascido

E quando as dores já estão instaladas? Também há solução. “A utilização da meia de descanso dependendo das situações (cada gravidez é uma gravidez) pode e deve ser aconselhada. É recomendado o descanso dos pés em água com granulado oxigenado de origem natural, ou com água ozonizada” — e deve esquecer os mitos sobre os pés de molho em água com sal.

“Já não conseguia caminhar o pouco que fosse pois tinha imensas dores nos pés. Mas quando a podologista efetuou as órtoteses [palmilhas personalizadas] eu andava como se nada fosse sem dores nenhumas”, refere Cátia. Depois de procurar a ajuda de uma podologista sentiu-se muito melhor, tanto na postura, como pelo facto de as unhas nunca mais terem encravado.

Depois das mães, segue o cuidado com os pés dos bebés

Aos oito meses vida, os pés do bebé começam a desenvolver-se e é por isso que desde esse período até aos primeiros 3 anos é essencial que os pais estejam atentos e tenham alguns cuidados com a saúde dos pés dos bebés.

“Cortar as unhas em forma reta principalmente enquanto dormem, lavar os pés com gel de banho com pH neutro e aos 3 anos fazer uma consulta de podologia para ver como está a apoiar os pés”, são algumas das medidas que Cátia aplicou na altura do nascimento das suas filhas. Uma já tem 7 anos, mas a de 2 anos continua a precisar destes cuidados.

Mas há mais ponto a que se deve ter atenção: “O uso de pijamas ligeiramente folgados ou compridos para que o bebé ao espreguiçar não encrave as unhas”, aconselha a podologista Fátima.

Se não houver malformações detetadas logo à nascença, é preciso acompanhar o desenvolvimento dos pés principalmente a partir dos 2 a 3 anos, já que é nesta altura que “é possível observar alterações estruturais que possam comprometer a funcionalidade do pé”, indica a podologista.

Ainda assim, é possível que no primeiro ano de vida aquilo que possa parecer uma malformação no pé do bebé, seja algo normal e que fica resolvido com o passar do tempo.

Como prevenir e cuidar dos pés dos bebés?

A especialista deixa 5 dicas para prevenir eventuais riscos para a saúde dos pés dos bebés

  1. É fundamental proteger os pés dos bebés, mas sempre com meias de lã ou croché e não com sapatinhos ligeiramente duros e pouco flexíveis;
  2. O corte das unhas deve ser feito quando o bebe estiver a dormir e deve ser reto;
  3. Não forçar a posição bípede sem que o bebé esteja preparado;
  4. Permitir que o bebé gatinhe;
  5. Aplicar gel de banho e creme à base de plantas.