Pintou as paredes, os azulejos e a porta de cor de rosa. No dia da visita da MAGG, veste umas calças também elas cor de rosa e traz ao pescoço uma colar com corações. Mas não se deixe enganar por esta aparente fofice. Joana Duarte é hardcore. Arregaça as mangas a deixar ver os braços tatuados de onde, entre cores e bonecada, se destaca uma palavra: “Eat”.

Joana, de 37 anos, é uma apaixonada por comida e durante anos matava esse bichinho ao fazer cupcakes e bolos de aniversário por encomenda. Criou a Cupcakes Bazaar e, em paralelo, mantinha o emprego enquanto estratega de comunicação, também já aí direcionada para marcas ligadas à restauração.

Aos poucos, estas duas atividades começaram a unir-se e Joana pensou que poderia juntar a comida e a comunicação num só projeto e, esse sim, só seu.

Joana, 37 anos, decidiu juntar duas paixões: a comida e a comunicação

Alugou o sítio onde hoje é a Kitchenette com a ideia de ter mais espaço para fazer os seus bolos — ainda que estejamos aqui a falar de oito metros quadrados. Mas agora, os cupcakes estão em standby, uma vez que descobriu que naquele pequeno retângulo no meio de Campo de Ourique pode nascer algo maior. A Kitchenette é agora uma consultora de comunicação para novas marcas de comida. “Percebi que poderia ajudar a dar conhecer marcas, pessoas e produtos que para já têm uma pequena dimensão e que talvez precisem de um espaço para trabalhar ou de uma ajuda na divulgação”, explica.

Joana refere que esta loja foi inspirada na experiência e na necessidade que sentia quando estava apenas dedicada à venda dos seus cupcakes. “Agora, as pessoas que, tal como eu, fazem bolos, crepes, barritas, pão, whatever, em casa e usam as redes sociais para divulgação, têm aqui uma loja pronta a ser usada”, refere.

Futurologista da comida: “Vamos querer comer vegetais com terra”

Mas a Kitchenette não é só uma pop-up store a ser usada pelas marcas. Como complemento, Joana ajuda a gerir a comunicação dessas marcas, sempre que estejam a ocupar a Kitchenette. Além disso, pode ser apenas usado à porta fechada, enquanto cozinha, para aqueles projetos que não precisam de contacto com o público, como é o caso de quem faz catering.

No entanto, o lado mais visível da Kitchenette acontece quando Joana abre as portas para que as marcas que ocupam o espaço possam vender e conhecer os clientes que, até ali, não passam de caras por detrás de mensagens no Instagram. “Pode ser loja, loja-cozinha, ou só cozinha”, resume Joana.

A utilização do espaço inclui sempre o tal apoio na comunicação, intensificada na semana antes de a marca ocupar a Kitchenette. “Já tive casos de marcas que ganharam até 300 novos seguidores nesse período”, conta.

Por cá já passaram marcas como a Tentação Verde, o Pão do Pastor, e também as massas da pasta queen Alessandra Lauria. “No Dia Mundial da Pasta esteve cá a finalizar uma lasanha e vendemos ao público, que se vai juntando à porta”.

Joana já percebeu que os oito metros quadrados não são suficientes para todos os curiosos que querem experimentar tudo o que os seus convidados trazem. É por isso que esta mente “que sonha muito alto”, como nos confidencia, já pensa num espaço maior e até numa carrinha móvel que sirva de complemento ao espaço reduzido da cozinha.

Em janeiro Joana dá início a um podcast no qual vai entrevistar mulheres com negócios que envolvam comida e até ao fim do ano são muitos os eventos a pintar Campo de Ourique de cor de rosa. Já a dia 24 de novembro, começa a “Ocupação”, nome dado à residência de Joana Barrios, atriz, ex-porteira do Lux, autora do livro de cozinha para crianças “Nhom Nhom” e cozinheira oficial de Cristina Ferreira no programa da manhã. “E também minha amiga, até porque já todos fomos ao Lux”, salienta Joana.

Em cada um desses domingos, Joana — a Barrios — ocupa a cozinha e explora um ingrediente da época. Spoiler alert: o primeiro é a abóbora. Joana — a Duarte — trata da comunicação do evento. “Mas mais do que ter uma Joana a cozinhar e a outra a comunicar, são as Joanas a divertirem-se. “É muito aquilo que quero que a Kitchenette seja”.