Tem mesmo vontade de reduzir o consumo de carne. Até já cortou com os laticínios e nunca mais comprou nada feito com pele de animal. Sente que está a caminhar no sentido certo no que toca a uma alimentação mais consciente, mas há aquele marisco ou aquele peixe fresco na brasa que o impedem de assumir uma dieta vegan em toda a sua plenitude? A solução chegou a Portugal.

O conceito de seagan foi criado por Amy Cramer e Lisa McComsey, duas amantes da alimentação vegan e saudável e autoras do livro “Seagon Eating“, a pensar em todos os que consideram que a dieta feita com base vegetal pode ser restritiva e que, por isso, impede que mais pessoas optem por esse caminho. Assim, ainda que quem siga a dieta seagan tenha como base uma alimentação vegan, permite-se consumir, de vez em quando, produtos vindos do mar, nomeadamente peixe, crustáceos e algas.

Em Portugal, o conceito ainda é pouco conhecido — ainda que, intuitivamente, seja seguido por algumas pessoas que não consomem alimentos de origem animal no dia a dia, mas permitem fazer exceções — mas ganha agora um espaço de criação. Isto porque o restaurante Akla tem à frente da sua cozinha um chef açoriano e fã de comida portuguesa, Eddy Melo, e uma outra chef, Sarah Maraval que, além de especialista em comida vegan, é adepta da comida saudável e sem processados.

Sem extremismos à mesa, os dois chefs decidiram unir forças e criar um prato para que os clientes do restaurante do Hotel InterContinental, em Lisboa, possam descobrir o que é isto afinal da comida seagan. “Para nós chefs, é uma cozinha com muito potencial, porque podemos esticar os nossos limites”, explica à MAGG Sarah, que todas as semanas prepara um prato que fica de segunda a sexta-feira disponível no menu de almoço do restaurante.

Não pode dizer que é vegan se não acertar nestas perguntas

Esta não é a primeira vez que Sarah, autora do projeto The Green Chef, no qual se propõe ensinar mais aos outros sobre a alimentação feita sem carne nem peixe, trabalha nesta cozinha. Há uns anos esteve responsável por criar a opção vegetariana do menu — que tem sempre também um prato de carne e outro de peixe — mas desta vez regressa para unir o seu trabalho ao de Eddy Melo, o chef residente.

Sarah Maraval explica que, ainda que se admitam apontamentos do mar, a base do prato é sempre vegetal. “Mesmo que tenha peixe ou crustáceos, são sempre um apontamento, nunca o elemento principal”, garante. E admite que a sua mais recente obsessão são as algas. “São muito pouco utilizadas na cozinha portuguesa, mas é incrível o sabor que dão ao prato”, refere.

Eddy Melo e Sarah Maraval são os chefs á frente da cozinha do Akla

E a MAGG teve a prova disso no dia que se sentou à mesa do restaurante para um almoço durante a semana. Calhou-nos na ementa um prato que Sarah garante ser “uma viagem pela terra e o mar”. Não admira. É que em cima de uma espécie de risotto de cevada feito com manteiga de amêndoa e parmesão vegan, estão uma miscelânea de cogumelos e algas.

Mas também já houve semanas de crudívoro de noodles de algas kelp, com pepino, maçã verde, manga e gengibre, pickles caseiros de cebola roxa ou de ovas de salmão, com crocante de sementes de sésamo.

Ainda assim, os amantes de carne e peixe não têm com que se preocupar. A par desta opção, existem sempre mais duas e, nestas, o chef Eddy Melo trabalha com os produtos da estação e dá-lhes sempre um toque português. Na nova carta do restaurante há ceviche de atum dos Açores ou pica pau do lombo com molho de mostarda para entrada. Para prato principal destacamos o robalo grelhado com creme de topinambur, limão confitado, amêndoa e salicórnia ou o atum grelhado com feijão verde, lentilha Beluga e pickles de manga picante e azeite.

O menu de almoço — o único onde pode encontrar a opção seagan — está disponível de segunda a sexta-feira e custa 16,50€.