Um recém-nascido foi encontrado dentro de um caixote do lixo esta terça-feira, 5 de novembro, perto da discoteca Lux Frágil, em Lisboa. “Sem roupa nem agasalho”, conforme explicou o comissário do comando metropolitano da PSP de Lisboa André Serra ao “Diário de Notícias“, ainda tinha vestígios do cordão umbilical.

“Foi transportado para o Hospital D. Estefânia num estado de fragilidade, mas com vida”, disse uma fonte à agência Lusa, conforme cita o jornal. O bebé, do sexo masculino, encontra-se neste momento “estável” e “clinicamente bem”. O caso está a ser investigado pela Polícia Judiciária.

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Neste momento não se sabe quem abandonou o bebé — se a mãe, o pai ou até o casal. Mas o que é que leva um progenitor a abandonar um recém-nascido nestas condições? Será por maldade, por doença, por medo? Júlia Machado é psicóloga e afirma que, para ajudar as pessoas que passam por esta situação, é necessário olhar para todos os fatores sem as julgar pelo que achamos que sabemos sobre elas. A especialista refere o caso específico das mulheres, mas há explicações que podem adequar-se a ambos os géneros.

“A maioria das mulheres que cometem este ato encontram-se uma situação de medo ou de pânico”, diz à MAGG. “Pode haver uma dor emocional, um sofrimento, pode não conseguir aceitar a gravidez por ser fruto de uma violação, pode ser uma depressão, um medo absoluto, um surto. Ou consequência de questões financeiras. Temos de tentar ver o que levou a pessoa a cometer este ato para depois a podermos ajudar”.

A psicóloga Júlia Machado

Normalmente, o ser humano sente mais afinidade e empatia por quem aparenta estar numa situação de vulnerabilidade ou injustiça, mas a verdade é que ninguém sabe o que essa pessoa fez para estar, agora, nesta posição. Há portanto a necessidade de ajudar a pessoa que parece que está pior, mas que provavelmente foi a causadora de todos os problemas.

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Júlia Machado acredita que o mesmo acontece com as progenitoras que abandonam os recém-nascidos: “A maior parte das vezes isto não acontece por um ato de maldade. Acontece por desespero, por dor emocional, porque algo está errado com aquela pessoa e nós, enquanto psicólogos, temos de perceber o porquê”.

Mas o que é perceber o porquê? Há que ter em conta a situação de vida da pessoa, as suas características, a personalidade, os acontecimentos que antecederam o ato, o que a pessoa pensa, e também qual o impacto que a este ato provocou nela. Dependendo da sua reação, os psicólogos fazem diferentes diagnósticos.

Depois do abandono do recém-nascido, a mãe pode ou não ganhar consciência do ato. “Depende, se ela estiver num processo de inconsciência, pode pensar que o que fez não foi assim tão grave. Se estiver consciente pode ter de começar a lidar com a dor, pode auto julgar-se, o que, muitas vezes, leva à tentativa de suicídio”.

“Muitas vezes a mãe está numa situação de depressão, de rejeição, de medo e de angústia, então pode agir de forma indiferente”, explica a psicóloga. Para que esta mãe possa ser ajudada, é necessário que ela tome consciência do ato, se responsabilize e que queira realmente procurar apoio.