No final de outubro, uma criança de cinco anos ligou para o 911 — o número de emergência nos Estados Unidos — a pedir um Happy Meal. A polícia não só não levou a mal o engano, como assumiu o papel de entregador oficial de fast food e levou a tal caixinha vermelha até à casa da criança. É que para o estômago faminto de uma criança, um hambúrguer com brinquedo pode mesmo ser uma emergência.

Aquela que é a caixa mais emblemática da marca faz a alegria dos mais novos há 40 anos. Foi lançado nos Estados Unidos em junho de 1979 e chegou a Portugal em 1991, ano de abertura do primeiro restaurante McDonald’s do país.

A ideia de ter uma versão mini de um menu, ao qual vinha sempre agregado um brinquedo, tinha tudo para ser um sucesso. E foi. Um ano depois do lançamento oficial, passou a ser vendido na Guatemala, e logo a seguir também na Austrália, Hong Kong, Nova Zelândia e Suécia. Tal como outros itens do menu da cadeia norte-americana, o seu conteúdo pode variar consoante o país e também o nome pode ser diferente. É que ainda que em Portugal não tivéssemos mexido no original “Happy Meal”, no Quebec, por exemplo, é chamado de “Joyeux Festin” — “Festa Feliz”, em francês. Na Argentina, Porto Rico, Paraguai e Colômbia é uma “Cajita Feliz” e no Brasil “McLanche Feliz”.

O primeiro Happy Meal em Portugal era constituído por apenas três produtos, sem mais opções: hambúrguer de vaca, batatas fritas e bebida. Ah, e claro, o brinquedo. Mas nestes 28 anos, muita coisa mudou. Afinal, falamos de 1991, altura em que um Mc Menu Big Mac custava 600 escudos (2,99€) e a palavra glúten ainda era estrangeiro.

Agora, o menu Big Mac custa 5,40€, já existem opções aptas para celíacos, para vegetarianos e na caixa do Happy Meal tanto pode vir peixe como carne, um brinquedo ou um livro.

Homem congela hambúrgueres do McDonald’s para comer ao pequeno-almoço

De uma opção única de hambúrguer de vaca, agora o Happy Meal oferece wraps, cheeseburguers, nuggets ou douradinhos. E ainda que seja difícil manter as crianças longe das batatas fritas, a verdade é que de acompanhamento pode escolher entre três tipos de sopa, palitos de mação ou fruta, que, por variar consoante a época, pode ser maçã de Alcobaça, uvas, pera Rocha, meloa ou abacaxi.

Os sabores adaptaram-se ao conhecimento científico sobre a a alimentação e é por isso que, entre 2007 e 2017, o sal das batatas e da sopa foi reduzido em 36% e o uso de gordura saturada do óleo vegetal desceu em 40%.

Mas nesta caixa mágica, há muito mais do que rodelas de carne prensada e batatas viciantes. Até as questões de género cabem lá dentro. Em 2016 foi anunciado que a marca iria deixar de fazer a distinção entre brinquedo de menina e de menino e, este mês, por exemplo, há uma coleção de robôs disponível para todos. Mas atenção, também é possível optar por um livro, em vez de um brinquedo. A Happy Meal Readers é a iniciativa recente da marca, e passou agora a estar disponível em todos os restaurantes da marca, depois de ter entrado em vigor na Suécia em 2001.

Depois deste texto, fica com certeza munido de muitos “Sabia que?” para lançar da próxima vez que se sentar à mesa de um dos restaurantes da cadeia. Vá, só mais um. Matt Stonie é o nome da pessoa que detém o recorde de maior rapidez a comer um Happy Meal: 15m22s.