“Sei bem o que é viver com baixa autoestima”, diz à MAGG Débora Água-Doce, fundadora da Clínica da AutoEstima, que abriu a 12 de março na Avenida Júlio Dinis, em Lisboa. “Todos ensinamos aquilo que mais precisamos de aprender. O meu sonho era — e ainda é — possibilitar que todas as pessoas possam amar-se incondicionalmente”.

Débora Água-Doce é psicóloga clínica e percebeu desde muito cedo que a área de que mais gostava era mesmo a da autoestima. Mas afinal o que é isso de gostarmos de nós próprios? “A autoestima é o que resulta da felicidade e do bem-estar”, explica.

Em Portugal, de acordo com o último Relatório Mundial da Felicidade, os portugueses têm-se sentido mais felizes, já que ocupam o 66.º lugar (numa lista com 156) dos países onde as pessoas se sentem mais felizes. Houve uma evolução no bem-estar da população nacional desde o primeiro relatório, lançado em 2012.

Psicóloga Débora Água-Doce, fundadora da Clínica da AutoEstima

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A psicóloga revela que a maioria das pessoas que procuram a clínica sofrem de baixa auto-estima, “o que significa que estão em sofrimento”. Para combatê-lo, Débora Água-Doce indica que há alguns pensamentos que podem ajudar a combater a baixa auto-estima, só que este é  “um trabalho de ‘formiguinha’, já que deve ser treinado diariamente e mantido durante toda a vida.”

Isto lembra-nos uma dieta de perda de peso, em que durante um a dois meses seguimos o plano à risca, e ao fim desse período finalmente os números da balança são os desejados — ou no caso da auto-estima, o bem-estar é alcançado. Mas se depois da dieta passarmos a comer uma pizza todos os dias e não mantemos uma alimentação saudável, todo o trabalho de “formiguinha” foi em vão.

“Na Clínica da AutoEstima facilitamos esse caminho”, refere a psicóloga, acrescentando que neste espaço os especialistas têm a capacidade de colocar cada paciente a gerar amor próprio. Como? Foi isso que fomos descobrir.

Cada espaço na Clínica da AutoEstima tem uma função

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Um dos métodos usados na clínica para melhorar a auto-estima é a psicoterapia: “É um processo de reconhecimento e descoberta de si, dos seus problemas, do seu funcionamento; e de exploração e experimentação de possibilidades de mudança, de transformação, que possibilitam maior bem-estar e auto-realização”, explica a especialista.

O papel do terapeuta é ajudar neste processo de auto-conhecimento e de mudança, de forma a promover o bem-estar pessoal mas também ajudar a que a pessoa tenha uma melhor relação com os outros e com a vida, “mostrando que existe dentro de si a capacidade de sonhar, amar e ser amado”.

E o bem-estar não é só uma coisa de adulto. A infância pode até ser a altura mais importante para trabalhar a autoestima, dado que é quando começamos a construir a personalidade e a criar medos e inseguranças. Por isso mesmo, a Clínica da AutoEstima tem também psicoterapia infantil.

“A intervenção psicológica com crianças baseia-se essencialmente na utilização de estratégias de intervenção lúdica, que ajudam a entrar em contacto com o seu mundo interno“, refere Débora. Nas sessões, ao brincar, desenhar e falar, as crianças desenvolvem formas mais saudáveis de lidar com as diferentes exigências externas e internas da sua realidade.

Dependência de relações amorosas. O vício é real e pode ser sinal de distúrbio de personalidade

Noutra sala da clínica, também acontece “magia”, como diz Débora. É a sala de ioga e meditação, onde as pessoas entram em contacto com o presente: “Tudo o resto deixa de nos importar naquele momento que é dedicado à tríade: corpo, emoção e pensamento”.

Ambas as práticas ajudam a fortalecer o interior, que é o objetivo da clínica. “A prática de ioga brinda-nos com a oportunidade de desenvolver o nosso potencial humano e, gradualmente, aprender a olhar de outra maneira para a vida e a ultrapassar os obstáculos”.

No total, a clínica integra cinco especialidades. A psicoterapia é dirigida para adultos, crianças e jovens, casais e famílias, e há ainda ioga, meditação, coaching e nutrição. “A nutrição entra sobretudo como complemento aos tratamentos da endometriose, uma patologia muito verificada em mulheres com baixa autoestima”, acrescenta a psicóloga Débora.

Quem quer melhorar a auto-estima não tem de passar por todas as especialidades, mas a “psicoterapia e a meditação andam sempre de mãos dadas neste caminho de ‘olhar para dentro'”, refere.

A clínica é só para pessoas com baixa auto-estima?

“Não. Mas se pensarmos bem, qualquer situação que nos leve a procurar ajuda, não estará relacionada também com o não estar a sentir-me bem comigo própria? Não afetará também a minha autoestima?”, questiona a fundadora de clínica.

Por isso, de acordo com a especialista, mesmo que não identifiquemos de imediato que não estamos bem connosco, quem procura a clínica sabe que vai encontrar um lugar onde pode sentir-se confortável e seguro para explorar as emoções.

“[As pessoas] querem receitas e formulas mágicas para a felicidade. Costumo dizer-lhes que já as têm consigo, apenas vou ajudá-las a olhar e a descobrir o segredo”, diz, deixando ainda um conselho: “Façam da expressão ‘eu sou a pessoa mais importante da minha vida’ uma premissa constante de bem-estar”, conclui.

A clínica funciona de segunda a sexta-feira, entre as 8 e as 20 horas. Além das consultas, cujo valor médio é de 50€, há frequentemente workshops e formações ao fim de semana. Quando às aulas de ioga, têm um custo de 10€ por sessão.

A fundadora do projeto revela ainda que foi criada uma bolsa de responsabilidade social — limitada a dez vagas — com o objetivo de integrar pessoas com menos possibilidades financeiras, pagando um valor mais baixo do que o normal, de 35€.