Um aluno é alegadamente agredido por um professor numa escola em Alvalade. Há testemunhas — uma turma inteira diz ter visto o sucedido, e alguns tentaram mesmo impedir que a violência chegasse mais longe —, o caso torna-se público e o professor é detido. Neste momento decorre um inquérito para averiguar o que aconteceu.

Estamos perante um caso de claro interesse público, onde é inequívoca a necessidade de tentar perceber o que se passou, se havia antecedentes por parte do professor, o que é que a lei prevê neste género de situações. É imperativo clarificar o que aconteceu porque, em momento algum, se justifica que um miúdo de 13 anos seja agredido por um adulto. Em contexto de sala de aula ou fora dela, é inadmissível.

Pânico em escola de Alvalade. Professor aperta o pescoço a aluno e bate-lhe com a cabeça contra a mesa

No entanto, se os gladiadores de teclado formassem os tribunais, não havia dúvidas sobre a melhor forma de resolver este problema: era atirar o miúdo para a fogueira, juntamente com os jornalistas que escreveram sobre o caso, e remover imediatamente o inquérito contra o professor. Pelo meio ainda se promovia o professor a herói, porque sabem lá as pessoas o que é que os docentes sofrem em contexto de sala de aula, o que têm aturar destes putos (e pais) parvos e mimados.

Não tenho a menor dúvida de que a classe de professores está desprotegida. Não tenho a menor dúvida de que há docentes a sofrer todos os dias em contexto de sala de aula, bem como a aturar putos (e pais) parvos e mimados. Não tenho a menor dúvida, mas também não tenho a menor dúvida de que, alegadamente, aquilo que aconteceu dentro daquela sala de aula em Alvalade é um crime. E agora pergunto: há pessoas cegas ao ponto de quererem justificar isto?

O problema é que há. Ora vejamos:

— “Se a cada aluno que maltrata um professor fosse aplicado o mesmo método, algumas turmas estariam reduzidas a menos de metade!”

É possível, mas, mais uma vez, o professor é um adulto e o aluno um miúdo de 13 anos.

— “Gostava de ouvir a versão do professor e qual a sensação que irá ser aplicada ao aluno pela sua falta de educação.”

Depois de o miúdo levar porrada, vamos sancioná-lo? Que escola tem legitimidade para o fazer? O professor poderia ter toda a razão, mas perdeu-a no momento em que agrediu o aluno.

— “E o que é que o aluno terá feito, não interessa para nada ???!!!!”

Está escrito na notícia, o miúdo pegou no telemóvel. Errado, irritante e muito provavelmente trafulha porque não ia mesmo ver as horas? Talvez. Mas continua a não justificar uma agressão.

— “E o aluno foi suspenso? Pobres professores daquela turma! Doravante não fazem mais nada destes meninos. Ou fazem o que os alunos querem ou então os meninos e os seus encarregados de educação encarregam se de tomar medidas exemplares conducentes a uma boa prática do ensino”.

Eu diria que uma medida exemplar conducente a uma boa prática do ensino é não dar no focinho de um aluno.

— “O ALUNO devia merecer isso e muito mais.”

Para a fogueira, já!

— “E quando um pai bate num professor, também vai presente ao juiz?”

Sim. No final podemos argumentar se a sentença foi ou não injusta, mas se for apresentada uma queixa, ele será certamente presente a um juiz. Mas, mais uma vez, uma coisa não invalida a outra. Este caso aconteceu e diz respeito a um professor que agride um aluno. Ninguém está a dizer que não existem pais ou alunos que batem em professores. Neste caso específico, falamos de um professor a alegadamente agredir um aluno. Mais nada.

— “Mais uma medida que tira autoridade aos professores! O ministro que eduque os indisciplinados! Os professores devem lutar pela dignidade da profissão!”.

Morte aos alunos! Viva a dignidade da profissão!

Editorial. Como é que os nossos filhos não haviam de criar grupos de ódio?

Mas estamos todos malucos? Como é que é possível que em milhares de comentários, 98% tentem justificar a agressão e culpem o miúdo? Como é que é possível que homens e mulheres adultos condenem em plena praça pública a agressão de um adulto contra uma criança?

Dizer que o contrário acontece é um não-argumento. Claro que também há mulheres a bater em homens, isso justifica que não se fale daquelas que morrem nas mãos de pessoas do sexo masculino? Claro que nem todos os políticos são corruptos, mas isso justifica que não se fale daqueles que são? Claro que nem todos os cineastas são agressores sexuais, mas isso desculpabiliza Harvey Weinstein?

Todas as notícias que saíram sobre o caso incitaram uma guerra nas redes sociais. Os professores uniram-se e acusaram os meios de comunicação de terem uma “agenda”, ao mesmo tempo que criticaram ferozmente o miúdo. Em vez de colocarmos a tónica da discussão nas possíveis razões que levam um professor a fazer uma coisa destas, nas regras que podem ser implementadas para impedir que isto volte a suceder ou no desgaste dos profissionais, preferimos gladiar-nos num “nós contra eles”.

Não há ninguém contra os professores na MAGG. Há, sim, contra situações de agressão. Porque, mais uma vez, não nos esqueçamos do que aconteceu: alegadamente, um adulto violentou um miúdo de 13 anos. Que o inverso existe? Sem dúvida. Mas, neste caso, foi isto que aconteceu.

Há uma coisa, porém, que concordo: enquanto comunicação social, devemos lutar todos juntos por escolas mais seguras, onde não haja violência de nenhum dos lados. Para que isso aconteça, porém, têm de falar. Pais, alunos, professores. Falem. Se acham que os jornalistas não querem saber das vossas histórias, não se cansem de as repetir. Eu estou cá para as ouvir. Mas não tentemos justificar violência. Por favor, isso não — nunca.

Esta semana, a jornalista Ana Luísa Bernardino foi falar com escolas onde o uso do telemóvel é proibido ou limitado. Foi este aparelho que esteve no centro da discussão entre o aluno e professor, por isso quisemos saber o que levou alguns estabelecimentos de ensino a decretarem o telemóvel como um alvo a abater. Cinco pais garantem-nos: os miúdos ficam a ganhar.

Como é que se explica a dois pais que o seu filho nasça sem olhos, nariz e uma parte do crânio, quando nenhuma das ecografias indiciava anomalias na saúde do bebé? O jornalista Fábio Martins lançou esta pergunta ao médico neuroradiologista Pedro Gonçalves Pereira, que analisa as soluções de diagnóstico que existem atualmente. Mais tarde, o jornalista sentou-se à conversa com Dalila Carmo para uma entrevista intimista. Da derrota nas audiências à tristeza de ver a televisão menosprezada, a atriz falou sobre tudo sem medos.

Há mais. A consultora de moda da MAGG, Fabíola Carlettis, mostra como recriar o look de 12 influenciadoras portuguesas, um psicólogo explica o que nunca dizer a um parceiro que foi traído e um novo livro revela histórias de abusos de Trump face a modelos. Em momento de anúncios para o calendário de séries de 2019/2020, revelamos-lhe também 95 que foram renovadas para uma nova temporada e 40 que terminam ou foram canceladas este ano.

Até para a semana.