A tensão com o irmão William, duque de Cambridge, e a constante perseguição dos tabloides britânicos a Meghan Markle. Foram estes alguns dos temas que marcaram a conversa dos duques de Sussex em “Harry e Meghan: Uma Jornada em África”, lançado pela ITV News na noite deste domingo, 20 de outubro. O documentário televisivo acompanhou a viagem de dez dias do príncipe Harry e da ex-atriz de “Suits” pelo sul de África.

Harry comentou sobre o facto de a relação com o irmão ter-se tornado mais tensa, confirmando algumas das especulações dos media que começaram na altura do casamento de Harry com Meghan Markle. Uma delas referia-se ao facto de William não apoiar o casamento do irmão mais novo.

A imprensa associava ainda a tensão entre os irmãos ao facto de os duques de Sussex terem decidido mudar do Palácio de Kensington para Windsor, separando-se da família real. Só que se por um lado os ataques da imprensa diziam que os irmãos se estavam a afastar por causa do casamento de Harry e Meghan, por outro referiam que era uma decisão mútua e natural, resultado dos diferentes objetivos de cada um.

“Somos irmãos, seremos sempre irmãos. De momento estamos certamente a ir por caminhos diferentes, mas eu irei estar sempre lá para ele, como eu sei que ele estará sempre lá para mim”, acabou por referir o filho mais novo da princesa Diana depois de assumir a tensão com William.

Mas as especulações sobre a tensão entre os irmãos não é o único tema que tem dado que falar. O duque de Sussex já processou os jornais britânicos “The Sun” e “Daily Mail“, a 27 de setembro, por terem colocado escutas no seu telefone.

A estas denúncias, junta-se a de Meghan Markle, que também avançou com um processo contra o jornal “The Mail on Sunday​” por uso indevido de informações privadas, violação de direitos de autor e violação da Lei de Proteção de Dados de 2018, de acordo com o jornal “Público“.

Meghan e Harry em África. O look em homenagem a Diana e o novo nome de Archie

“Não serei intimidado para jogar um jogo que matou a minha mãe”, disse Harry no documentário, acrescentando ainda que o que ele e a mulher, Meghan Markle, pretendem é ser o que são e agir em conformidade com aquilo que defendem e acreditam.

Apesar de o príncipe Harry assumir no documentário que a morte da mãe ainda o atormenta — como sempre que vê uma câmara, ouve um clique ou vê um flash —, diz também que esses são aspetos que lhe trazem más memórias, mas fazem-no lembrar do melhor a princesa Diana lhe deu.

“A minha mãe ensinou-me um conjunto de valores que irei sempre tentar defender, apesar do papel e do trabalho que isso às vezes implica”, explicou, referindo-se aos valores que o levaram, juntamente com a duquesa de Sussex e o filho Archie, ao sul de África, local onde a princesa Diana também esteve em janeiro de 1997 para alertar sobre a importância de limpar as minas terrestres.

Agora, Harry segue as pisadas da mãe em causas sociais e familiares: “Sempre protegerei a minha família e agora tenho uma família para proteger”, afirma o príncipe no documentário.

Meghan Merkle também foi entrevistada e reforçou o impacto da pressão dos media. A duquesa refere que nunca imaginou que esta pudesse ser tão severa antes de casar com Harry: “Quando conheci o Harry pela primeira vez, os meus amigos ficaram entusiasmados. Os meus amigos americanos estavam felizes porque eu estava feliz”, conta ao locutor Tom Bradby na entrevista.

Os amigos britânicos, porém, tinham a certeza de que Harry era encantador mas avisaram-na de que não devia casar porque a imprensa britânica iria estragar a sua vida. “Eu nunca pensei que seria fácil, mas achei que seria honesto e essa é a parte que é difícil de conciliar”, diz Meghan, que acrescenta que neste momento está apenas a existir, mas não a viver devido ao escrutino dos media. Esta confissão gerou uma onda de apoio nas redes sociais: em apenas uma hora, a hashtag #WeLoveYouMeghan tornou-se um dos tópicos principais no Twitter.

Contudo, a duquesa de Sussex diz que casou com um homem incrível e que isso é para ela apenas parte da história de amor. O bebé Archie, de 5 meses, também faz parte dessa narrativa e já começa a seguir os passos da família em África, uma vez que durante a viagem foi apresentado ao arcebispo da Igreja Anglicana, Desmond Tutu, vencedor do Nobel da Paz em 1984.

No documentário, Harry revela que África vai ser o foco de trabalho dos duques de Sussex no futuro . “Há 19 países da Comunidade das Nações em todo o continente, há muitas coisas a serem feitas, há muitos problemas aqui, mas também há um enorme potencial para soluções”, refere Harry.