Na movimentada Via dei Condotti, em Roma, Itália, um cavalo que puxava uma carruagem (conhecidas por botticelle) com turistas caiu, ao escorregar na tampa de uma sarjeta. O motorista quis prosseguir com o passeio, que ia em direção à Escadaria Espanhola, recusando-se a seguir o conselho de quem assistiu ao colapso: chamar um veterinário, para que o animal fosse observado depois da queda, que aconteceu na quinta-feira, 17 de outubro.

Na sequência do acidente, os lideres italianos estão a ser pressionados a parar com aquilo que descrevem como uma exploração injustificada de animais, que transportam turistas pelas estreitas ruas de Roma. “Submeter animais a trabalho desumano em nome de uma tradição anacrónica é abuso de animais”, disse, citado pelo jornal inglês “The Guardian“, Rinaldo Sidoli, porta-voz do grupo de animais e ativistas ambientais Alleanza Popolare Ecologista.

Os cavalos de Roma são forçados, contra a vontade deles, a rebocar cargas extremamente pesadas (só a carruagem pesa 800 quilos) em calçadas escorregadias e no meio do trânsito barulhento. Pedimos à presidente da câmara, Virginia Raggi, que pare com esta exploração injustificada de animais.”

Não terá sido o primeiro acidente com cavalos. Por exemplo: em 2008, um cavalo chamado Legoli, que puxava uma carruagem numa estrada junto ao rio Tibre, morreu depois de ser atropelado por um carro. No mesmo ano, Birilo, um cavalo de 18 anos, morreu na sequência de se ter assustado com o barulho de um camião que estava a passar, perto do Coliseu de Roma.

Segundo a italiana Agência Nacional de Proteção de Animal (ENPA), mais cavalos terão tido acidentes idênticos ao desta quinta-feira — no verão de 2012, outro animal caiu junto à Escadaria Espanhola e o motorista bateu-lhe de forma a que ele voltasse ao trabalho. Foi parado pela polícia e terá sido na sequência disto que, mais tarde, surgiu a lei que proibia este meio de transporte quando as temperaturas estivessem acima dos 40 graus.

Face ao acontecimento mais recente, o comportamento do motorista, descreve a ENPA, é “perturbador”. “Foi como se nada tivesse acontecido e, portanto, a verdadeira saúde do cavalo permanece um mistério.”

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Segundo o mesmo jornal, o negócio dos boticelle é lucrativo: os operadores turísticos cobram até 350€ para que cavalos puxem carruagens que transportam quatro pessoas, em torno de um circuito que passa pelos principais monumentos de Roma, ao longo de duas horas.

A proibição desta prática não é uma reivindicação nova: já vários presidentes da câmara da cidade prometeram acabar com as carruagens puxadas por animais, tendo sido esta a principal promessa de Virginia Raggi na campanha que culminou com a sua eleição, em junho de 2016. Mas, na prática, pouco ou nada mudou.

Passado um ano, as autoridades terão anunciado um plano para os animais, que são mantidos em estábulos no Testaccio, no sentido de os afastar das ruas, pondo-os a trabalhar, antes, nos parques da cidade. A medida que proibia a circulação de carruagens entre junho e setembro, e quando as temperaturas excedessem os 30 graus (sendo substituídas por veículos elétricos), foi aprovada por um comité parlamentar de transporte.

Raggi, do Movimento Cinco Estrelas, que governa com o partido Democrata, do centro-esquerda, reiterou o plano nos órgãos de comunicação sociais, em julho, avançando que Roma era “uma líder na salvaguarda e proteção dos animais.”

Mas falta passar para o plano da ação: “Durante a campanha eleitoral, a presidente da câmara prometeu salvar os cavalos das ruas caóticas de Roma — pedimos aos políticos nacionais que se encarreguem dessa emergência”, exige a ENPA.

De acordo com o “The Guardian”, há 32 pessoas com licença para conduzir as carruagens puxadas por cerca de 80 cavalos no ativo. Segundo os planos delineados no mandato de Raggi, mais nenhuma será emitida e os restantes terão de solicitar uma autorização para dirigir táxis.

“A visão de um cavalo a cair no chão deixou muitos turistas horrorizados”, acrescentou Sidoli. “O espetáculo vergonhoso foi mais um golpe na imagem de Itália. Chegou a hora do parlamento ouvir a crescente sensibilidade dos italianos em relação aos direitos dos animais.”