Crítica

Crítica. Fomos conhecer o novo PortoBay Flores — e arrependemo-nos logo de levar o carro

Num palácio centenário, há comida saborosa, recantos clássicos e um spa que rejuvenesce qualquer pessoa. Mas há (algumas) arestas a limar neste novo hotel.

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O novo hotel do Porto fica na Rua das Flores

Henrique Seruca

O novo hotel do Porto fica na Rua das Flores

Henrique Seruca

Abriu portas a 6 de setembro e, com apenas um mês de vida, o PortoBay Flores já tem taxas de ocupação muito elevadas. Assim, para conhecer esta nova unidade de cinco estrelas do grupo PortoBay, fui obrigada a fugir aos fins de semana.

A uma quarta-feira, entrei na A1 e pus-me a caminho do Porto. E este foi o meu grande erro no que diz respeito a esta escapadinha: levar o carro, quando o objetivo, para além de conhecer o hotel, era caminhar pelas ruas da cidade nortenha, que pouco conhecia até à data.

E é exatamente essa a minha única desculpa para o erro. Só tinha estado no Porto duas vezes, em dois fins de semana — uma ocasião em contexto de trabalho, e outra numa despedida de solteira, com todas as atividades já organizadas e pouco tempo para explorar sozinha —, logo não sabia exatamente com o que contar.

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Enquanto tentava entender o que raio se passava com o GPS, que me fazia andar às voltas em busca da entrada do hotel, fui-me apercebendo da trapalhada em que me tinha metido. O PortoBay Flores, localizado na Rua das Flores, fica a uns escassos 120 metros do Largo de São Domingos e a uma caminhada de cinco minutos da zona da Ribeira. Fica também numa zona de acesso pedonal, sem hipóteses de estacionar o carro na rua. Chegar ao hotel só mesmo a pé e parque de estacionamento nem vê-lo.

Estacionar nas ruas circundantes também não é fácil: os lugares são escassos, as ruas estreitas, existem mil e uma limitações de estacionamento, e os espaços que existem são pagos. Enquanto continuava a dar voltas com o carro, em busca de um milagre, liguei para o hotel, onde me informaram que a unidade tem um acordo com o parque de estacionamento das Cardosas, a uma distância aceitável de 100 metros. Mas mesmo com a parceria, o preço do estacionamento do carro para hóspedes fica nos 25€ por noite.

PortoBay Flores

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Morada: Rua das Flores 27, Porto
Telefone: 220 470 000

Acabei por conseguir estacionar o carro depois de encontrar estacionamento sem ser pago (#milagre), e não lhe mexi nos dois dias que passei no Porto, o que me levou à conclusão de que, pudesse eu voltar atrás no tempo, nunca tinha optado por este método de transporte.

Se o alojamento ficar num local central da cidade e o objetivo for conhecer bem a zona, deixe o carro em casa e opte por viajar de comboio. Hoje em dia até existem promoções de compra antecipada na CP, o que lhe poupa muitos euros, e se for a fazer as contas ao dinheiro que gasta em combustível, portagens e estacionamento na cidade, a verdade é que compensa. Fica a sugestão.

Um palacete de luxo e uma massagem dos deuses para esquecer o stresse do carro

Depois de mais de 45 minutos na luta para conseguir estacionar o carro, e de uma caminhada com trolleys pela movimentada Rua das Flores, chego finalmente ao PortoBay Flores e esqueço imediatamente o que aconteceu. Afinal, não é todos os dias que se entra num palacete centenário cuidado ao detalhe, onde o clássico combina na perfeição com uma decoração minimalista e moderna, que me faz querer levar todo o lounge do hotel para casa — tivesse eu um pé alto daqueles no meu apartamento.

O hotel tem 66 quartos e uma capela no pátio interior

Henrique Seruca

O novo hotel tem 66 quartos, 11 no palacete e 55 na ala nova, construída por detrás do edifício histórico, o que potencia a existência de um simpático pátio a separar os dois locais. E se quem fica no palacete ganha a vantagem de dormir num ambiente mais clássico e com detalhes incríveis a cada esquina, os alojamentos da ala nova permitem uma vista incrível para a Ribeira nos pisos superiores, e um terraço com saída direta para o pátio no nível mais inferior.

O hotel não tem piscina exterior, mas tem uma zona de lareira acolhedora com vários livros, revistas e jornais à disposição, um pátio com uma pitoresca capela, piscina interior, sauna, banho turco e spa. E foi exatamente para o Spa Mandalay que me dirigi para relaxar da viagem de carro, que fez os meus pés incharem dois tamanhos. As grávidas compreendem o meu drama, tenho a certeza.

Com um vasto menu de tratamentos, desde massagens, rituais para casais, tratamentos faciais e outras massagens mais específicas, a terapeuta do spa confidenciou-me que a massagem ayurvédica (55 minutos, 100€), um tratamento que estimula os músculos, a circulação sanguínea e liberta toxinas, para além de fornecer maior flexibilidade ao corpo e aumentar a mobilidade das articulações, é uma das mais requisitadas.

“Há muitas pessoas que ficam aqui alojadas antes ou depois de fazerem o Caminho de Santiago, e optam por este tratamento”, disse-me a simpática funcionária, apesar de eu não ter tido a oportunidade de experimentar a massagem. Isto porque, e devido aos meus enormes 8 meses de gravidez, acabei mesmo por optar pela massagem pré-mamã (70 minutos, 105€).

6 fotos

E se sempre, tal como eu antes de engravidar, se indagou sobre que tipo de massagem é esta, saiba que o objetivo é relaxar, pura e simplesmente. Nestes rituais não se deve exercer demasiada pressão, há que ter cuidado com determinados pontos no corpo que não devem ser estimulados e o truque é adaptar cada tratamento a cada grávida, dado que a chave da massagem é achar uma posição confortável para a mulher, que ao mesmo tempo permita à terapeuta trabalhar o corpo da cliente.

No meu caso, e dado que se tratava de uma massagem de corpo inteiro, a terapeuta conseguiu trabalhar as costas comigo sentada na marquesa, e o resto do corpo foi massajado deitada de lado, com a ajuda de muitas almofadas, e também de barriga para cima, com a cabeceira elevada. E foi assim que a terapeuta me conseguiu recuperar pernas e pés, depois de estes terem ficado tão inchados como a bola Nivea da praia. Pontuação máxima para este tratamento, e energias renovadas para o resto dos dias.

Comida saborosa, atendimento a melhorar

No Bistrô Flores, o restaurante principal do hotel — o Bar dos Maias é um segundo espaço de bar e lounge, onde são servidas refeições ligeiras —, pode tomar o pequeno-almoço e fazer as duas principais refeições do dia. No que diz respeito ao pequeno-almoço, o buffet não foge ao que é esperado numa unidade deste segmento, com carnes frias, ovos e bacon, uma vasta seleção de pastelaria e padaria, entre outras opções.

A nota positiva desta refeição vai para as compotas, especialmente para a de abóbora, e para o delicioso chocolate quente que bebi nas duas manhãs que tomei o pequeno-almoço no espaço. Basta pedir ao funcionário, e alguns minutos depois tem na sua mesa esta incrível bomba de chocolate que valeu todos as calorias extra. Também pode pedir outras bebidas quentes feitas no momento, como o capuccino que invejei na mesa do lado.

No Bistrô Flores, são servidas as três principais refeições do dia

Henrique Seruca

Mas nada é perfeito, e numa das manhãs, fiquei na fila para entrar no restaurante cerca de 15 minutos e, a certa altura, contei 12 hóspedes na mesma situação que eu. São claramente arestas a limar ainda no primeiro mês de funcionamento, mas numa sala com mesas vazias, à espera de serem limpas, não faz sentido estarmos a ver os funcionários de um lado para o outro a repor alimentos antes de sentarem os hóspedes.

Ao jantar, a dicotomia entre sabor dos pratos e um serviço impecável voltou a estar presente. Acompanhada pelo meu marido, escolhemos um bife tártaro (14€) e um queijo de Azeitão assado no forno com broa de Avintes (10€) para entrada, um magret de pato com quinoa e legumes (21€) e raviolis de salmão fumado com molho de funcho (16€) como pratos principais, e terminámos a refeição com uma tartelete de framboesa e chocolate (8,50€) e mil folhas de banana e caramelo (8,50€).

Todos os pratos estavam saborosos e bem confecionados, com especial destaque para a entrada de queijo, com este a derreter na broa, e para os raviolis cozinhados no ponto, com um molho guloso e que dá vontade de repetir. No que diz respeito à sobremesa do mil folhas, o bolo podia ter algum creme de pasteleiro para unir as folhas de massa e torná-lo um pouco menos seco.

De qualquer forma, os pratos conseguiram uma avaliação mais do que positiva, mas o serviço continua a precisar de uns ajustes. Apesar de ambas as funcionárias que nos serviram serem simpáticas e cuidadosas, ao ponto de nos colocarem numa sala anexa vazia para estarmos mais à vontade (depois de nos perguntarem se preferíamos, claro), acabaram por se esquecer um pouco de nós para servir as bebidas, colocando tanto a água como o vinho em frappés a uma distância considerável. Outro ponto a melhorar.

Nesta época do ano, embora os preços das tarifas possam sofrer alterações consoante a ocupação do hotel, os valores de uma noite para duas pessoas em quarto standard começam nos 239,40€, e a partir dos 349,20€ em suite junior, no palacete. O pequeno-almoço está incluído, bem como welcome drink e acesso ao spa.

*A MAGG ficou alojada a convite do PortoBay Flores.

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