Qualquer gravidez deve ser sempre vigiada, mas, de acordo com a Direção-Geral da Saúde (DGS), a gravidez de uma mulher vegetariana precisa de atenção redobrada. É por isso que se recomendam suplementos de vitaminas e minerais para bebés e grávidas com este tipo de dieta, principalmente durante o primeiro ano de vida.

Segundo cita a TSF, os especialistas garantem que é possível ter uma alimentação vegetariana durante o primeiro ano de vida do bebé, no entanto, “quanto mais restritiva for a dieta, maior o risco de carências nutricionais com repercussão no crescimento, maturação e desenvolvimento da criança”, daí ser necessária a suplementação.

Numa altura em que são cada vez mais as pessoas a aderir ao vegetarianismo, a DGS alerta para os riscos desta dieta quando se está grávida ou a amamentar. “A existência de um número crescente de progenitores que praticam e pretendem que o lactente pratique outras dietas, nomeadamente vegetarianas, leva à necessidade de saber adequar, com a máxima segurança possível, a alimentação do lactente a uma alimentação não omnívora”, explicam à TSF.

O défice de vitamina B12 e a carência de vitamina D, cálcio e ferro podem afetar o desenvolvimento cerebral, motor e neuro-cognitivo, o crescimento, a saúde óssea, o desenvolvimento muscular e levar ainda a uma anemia megaloblástica — carências que podem ser suprimidas com a suplementação vitamínica. De acordo com a DGS, no caso de um recém-nascido que esteja a ser amamentado por uma mãe vegetariana, “deve ser rigorosamente vigiada a suplementação materna em vitaminas e minerais, bem como efetuada suplementação ao lactente.

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Em declarações à agência Lusa, citada pela “TSF“, Graça Freitas, diretora-geral da Saúde, explica que os primeiros mil dias de vida, desde a conceção até ao final do segundo ano de idade, correspondem a uma fase “extremamente exigente do ponto de vista nutricional” e que, por isso, é recomendado que a gravidez seja vigiada.

Para a DGS, mais importante do que o valor energético total, é a quantidade de micronutrientes e a aprendizagem de hábitos e comportamentos alimentares que ficam para o resto da vida. E para quem não sabe o que oferecer à criança nos primeiros anos de vida, recomendam que se siga a Roda da Alimentação Mediterrânica. Sempre sem açúcar e sem sal, doses pequenas e em refeições que não ultrapassam os 30 minutos.

Quanto ao uso de aparelhos eletrónicos para ajudar as crianças na hora das refeições, a DGS defende que “nunca devem ser usados durante a refeição, nem durante os dois primeiros anos de vida” e que a partir do terceiro ano, a sua utilização deve ser esporádica e não ultrapassar uma hora diária.