O número é assustador e continua a aumentar. São já 29 as mortes registadas este ano por violência doméstica, sendo que 23 são mulheres e seis são homens. Infelizmente os especialistas garantem que não há apoios suficientes, e as consequências para quem o faz nem sempre são as devidas.

E quem o faz afinal? Aparentemente, qualquer tipo de pessoa, mesmo aquelas que geram reações típicas de quem o conhecia, como “Não esperava isto dele. Sempre foi muito simpático.” Podem ser simpáticos, pessoas de família e até ter altos cargos. Como ser militar da GNR, por exemplo.

É o caso desta família. De acordo com o “Correio da Manhã“, a primeira queixa por violência doméstica foi feita pela mulher em 2007. Hoje, 12 anos depois, continua a deixar marcas em quem lhe é próximo. Um militar da GNR de 58 anos, agora reformado, coleciona já uma lista de queixas e chegou a estar preso durante nove meses.

As agressões à mulher, agora com 51 anos, eram muitas e testemunhadas pelos filhos. Em 2008, o militar chegou inclusive a agredir também a filha, que na altura tinha 20 anos e estava grávida de sete meses. Tudo porque estava a tentar proteger a mãe. “Apanhou porque não tinha de se meter entre os pais”, foi a justificação do agressor.

A lei contra a violência doméstica é “completa”. Então, porque é que está a falhar tanto?

Dois anos depois, de baixa, com problemas com o álcool e sem tomar a medicação que devia, arrastou a mulher pelos pulsos e fechou-a no quarto. Situação a que o filho com apenas 4 anos assistiu. De acordo com o jornal diário, poucos meses depois, outra filha do casal, com 14 anos na altura, fugiu de casa e foi encontrada à porta da escola pela PSP, a quem contou que o pai a agredia.

Em 2015, a mulher saiu de casa e foi viver com a filha mais velha, onde o militar a encontrou, a arrastou pelos cabelos e deu murros na cabeça. Depois de uma ameaça com uma arma de fogo, o militar da GNR esteve nove meses em prisão preventiva em Tomar. Mal saiu, as agressões continuaram. Alcoolizado, pontapeou o filho por causa de um telemóvel.

Em setembro deste ano, deu entrada uma nova queixa. A mulher testemunhou no Tribunal de Sintra contra o militar, este ligou-lhe 90 vezes com ameaças de morte e enviou fotografias com corpos em morgues. Está agora em prisão preventiva na cadeia de Évora, mas não se sabe por quanto tempo.