O número de pessoas mais velhas a recorrerem ao uso de antidepressivos duplicou em 20 anos. É esta a conclusão de um estudo de investigadores da Universidade de East Anglia, em Norwich, na Inglaterra, que se baseou na entrevista de mais de 15 mil pessoas com idades acima dos 65 anos. A investigação fez parte do programa do Estudo de Envelhecimento e das Funções Cognitivas.

Aqueles que aceitaram participar na investigação responderam a questões gerais sobre a sua saúde, atividades diárias, serviços de saúde que utilizaram ou estivessem a utilizar e todos os medicamentos que tomavam.

Foi através da recolha destes depoimentos que os responsáveis pelo estudo foram capazes de identificar um grupo de pessoas que apresentava sintomas de depressão — como a perda de energia, de interesse ou de prazer. Segundo os dados recolhidos durante o processo, entre 2008 e 2011, mais de 10% dos inquiridos com idades acima dos 65 anos receberam uma prescrição para a toma de antidepressivos.

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Segundo o jornal britânico “The Independent”, no início de 1990 a percentagem batia nos 4.2%. Para Antony Arthur, professor da Escola das Ciências da Saúde da mesma universidade, “o aumento das receitas médicas para o uso de antidepressivos não tem significado uma redução nos casos de depressão em pessoas acima dos 65 anos.”

“As causas para os episódios de depressão em pessoas mais velhas, os fatores que os perpetuam e as melhores maneiras de lidar com eles continuam a ser pouco entendidos e merecem mais atenção”, revela à mesma publicação.

Carol Brayne, a responsável pelo estudo e diretora do Instituto de Saúde Pública de Cambridge, é da mesma opinião: “Este trabalho revela que os casos de depressão não registaram uma redução mesmo na presença de um aumento de receitas de antidepressivos.” E fala nas preocupações de “potenciais efeitos secundários” que estão geralmente associados à toma de vários medicamentos por dia na população mais idosa.

Ainda à mesma publicação, os autores da investigação dizem que não é certo se o aumento nos tratamentos reflete “sobrediagnóstico ou melhor capacidade de despiste” aquando da análise de pacientes caso a caso.