Há pais que fazem todos os cursos de preparação para o parto, outros que os dispensam e preferem acreditar que o instinto será mais do que suficiente para receber e cuidar de um bebé. Mas mesmo falando dos mais cautelosos, as aulas de pré-parto focam-se na fase dos primeiros meses, e raramente se ouve falar em aulas para educar os miúdos durante as várias fases de crescimento.

De acordo com um estudo britânico divulgado em setembro, as aulas para pais, com o objetivo de oferecer estratégias e ferramentas para educar as crianças e jovens, podem poupar dinheiro aos educadores, bem como melhorar a qualidade de vida familiar. A investigação centrou-se na relação dos pais com os filhos, e de como a dificuldade dos educadores em traçar limites pode ter efeitos a longo prazo nos mais novos.

Sthephen Scott, professor da King’s College, em Londres, Reino Unido, e um dos autores do estudo, questiona: “Estão lá para os filhos? As crianças podem confiar neles? Podem falar com eles, ou os adultos não estão assim tão interessados? Optam por gritar ordens? Ter uma ligação segura com os pais está diretamente relacionado com um melhor comportamento.”

A escola para pais que os ajuda a educar os filhos

No decorrer da investigação, várias crianças e jovens foram entrevistadas e questionadas sobre as relações que têm com os pais. Após a recolha de dados, os investigadores olharam para os custos dessa criança em termos de serviços públicos — se tinham necessitado de reuniões extra na escola por problemas comportamentais, se os serviços sociais já tinham sido envolvidos na vida dessa criança, ou até se já tinham tido referências no sistema criminal.

Os especialistas envolvidos no estudo analisaram fatores como comportamentos antissociais, género, classe social e rendimentos do agregado familiar e, analisando os resultados, descobriram que uma criança que não tem uma ligação segura com os pais tem um custo significativamente diferente daquelas com boas ligações com os educadores.

Mais: o mesmo estudo conseguiu encontrar uma diferença entre crianças que têm uma boa ligação com os pais, e outras que a têm apenas com um dos elementos. Segundo a investigação, uma criança ou jovem com uma ligação apenas com a mãe tem um custo maior em cerca de 7.500€ à sociedade, enquanto outras sem qualquer ligação aos pais gasta mais de 15.700€.

E qual a solução para fomentar uma boa ligação entre pais e filhos? Sthephen Scott acredita que um sistema de “amor e limites” pode ser uma alternativa na qual os pais, em vez de se exaltarem ou chatearem com os filhos quando estes se portam mal, devem simplesmente explicar o que deve acontecer no futuro e quais as consequências se tal não acontecer. O objetivo é apostar numa comunicação calma e clara de quais são os limites.

Segundo o especialista, esta técnica exerce autoridade sem ser excessiva, e todos os castigos (ou consequências), como mandar os filhos para a cama mais cedo, retirar-lhe o telefone ou a consola, entre outros, devem referir-se ao comportamento tido pelas crianças, e não à relação entre pais e filhos.

Sthephen Scott insiste que os miúdos respondem bem a limites bem definidos, mas admite que saber como traçá-los, ser consistente nas decisões e saber comunicar com as crianças não tem de ser algo natural a todos os pais.

“Há aquela velha máxima que precisamos de um manual de instruções para uma máquina de lavar, mas não para um filho. E antes de ser pai, ensinaram-me muitas coisas que devia fazer antes de o meu filho nascer, mas não tantas sobre como agir quando ele chorava durante a noite”, afirma o professor, um defensor das tais “aulas para pais”.

“Não se trata de ensinar os pais o que fazer para que o filho não se torne num traficante de droga. Mas quando vamos a escolas falar com os pais e dizemos algo como ‘Sei que o seu filho pode estar a desafiá-lo, gostaria de saber como o pode ajudar a ajustar-se melhor, numa ótica de o preparar para o futuro?’ vemos um terço dos dos adultos na sala a virar costas fisicamente e recusar-se a aprender”, diz o professor britânico, que acredita que quanto mais cedo os pais receberem apoios e ferramentas para ajudar os filhos, melhor.