Turismo

Revelamos-lhe 15 segredos sobre Marrocos — dos menus do McDonald's às sopas ao pequeno-almoço

Fomos à descoberta de Marrocos e não só descobrimos que há táxis cor-de-rosa, como que o avião do Principezinho está no deserto do Saara. Descubra mais 13 curiosidades.

i

Algumas cenas da série "A Guerra dos Tronos" foram gravas em Marrocos

Algumas cenas da série "A Guerra dos Tronos" foram gravas em Marrocos

Seja qual for o sítio por onde passemos, Marrocos desperta-nos sempre o sinal de diferença. Seja pelas vestes compridas, o cabelo ou a cara das mulheres completamente tapada, ou ainda pela forma como a carne é posta à venda nos mercados — nada disso é o nosso cenário de todos os dias.

A verdade é que a viagem que a MAGG fez com a TAP e o Turismo de Marrocos permitiu-nos recolher informação, mas, principalmente, encontrar curiosidades. Deixamos um cheirinho: o menu do McDonald’s (sim, também os há neste país africano) tem algumas particularidades, tal como acontece nos outros países. Mas há mais.

1. O pequeno almoço dos marroquinos começa com sopa

Bissara: é este o nome da sopa típica marroquina cujo ingrediente principal são as favas. A estas é adicionado alho, azeite, sumo de limão, pimenta preta, cominhos e sal.

Existem algumas variações da sopa, já que pode ser preparada com ervilhas ou grão de bico em vez de favas, e outras origens. É que a bissara também é conhecida no Egito, mas aqui os ingredientes (que incluem também como salsa, hortelã, endro, espinafre) são transformados numa pasta para adicionar ao pão.

2. Os marroquinos trocam os seus dromedários por mulheres

Se visitar Marrocos há probabilidade de isto acontecer (sempre em tom de brincadeira). Mas não se deixe iludir, porque se os marroquinos são bons comerciantes para as bijuterias ou os tapetes, também o são para a troca de dromedários.

Recebemos uma oferta de 5 dromedários. Mas tendo em conta que cada dromedário custa cerca de 3 mil euros (aqueles que já estão treinados), significa que estavam a oferecer cerca de 15 mil euros. Agora é pensar no negócio e fazer as contas caso lhe façam esta oferta.

3. Os dromedários são vegetarianos

É verdade. Até os dromedários aderiram à alimentação vegetariana, o que significa que não precisa de ter medo de se aproximar deles, já que não vão estar tentados a dar-lhe uma mordidela (pelo menos foi o que nos disse o marroquino que cuidava de vários dromedários, e nós acreditamos).

A alimentação destes mamíferos é feita à base da vegetação do deserto, como catos, ervas e folhagens.

4. Iniciativas de sustentabilidade

Marrocos quer ser líder de energia eólica e aposta também fortemente na energia elétrica obtida através da luz solar. Vimos painéis solares instalados em vários locais, sinal de que o país aposta na autonomia elétrica e nas fontes de energia renovável.

E papel para limpar as mãos? São raros os sítios que o têm. Na maior parte das vezes há secadores e encontrámos mesmo num oásis no meio do deserto, em Tisserdmine, uma casa de banho que tinha toalhas à disposição para secar as mãos.

Mas estes não são os únicos sinais de que Marrocos se preocupa com o ambiente. Entre 8 e 12 de dezembro de 2016, a comunidade marroquina (um total de 200 pessoas) juntou-se numa iniciativa da Associação Todos pela Região para limpar o lixo que se aglomerava no deserto do Saara, explicou à MAGG o blogger João Leitão, que nos acompanhou na viagem.

Recolheram 2012 sacos de lixo com 100 kg cada um — ou seja, um total de 201 toneladas. Surpreendente também é o facto de algum do lixo encontrado ter vários anos, como é o caso de latas de sardinha de 1968.

Medidas sustentáveis em Marrocos

5. O avião do principezinho está, literalmente, em Marrocos

“H0-N Aeropostale” é o nome do avião que está em Merzoga, Marrocos. Este é mesmo “l’avion de Petit Prince”, como diz na tabuleta junto ao Kasbah Dunes d´Or (um hotel no deserto do Saara).

Quem passa por aqui lembra, com nostalgia, um dos livros mais vendidos desde que foi publicado, em 1943. A história conta que foi precisamente no deserto do Saara que um piloto caiu e conheceu um menino que atravessa estrelas e planetas. Este encontrou serve para nos contar uma narrativa cheia de emoção e passar-nos uma mensagem.

6. Às casas modernas vão-se adicionando andares

Porquê? Porque apesar de inicialmente serem construidas para alojar uma família, à medida que os irmãos mais velhos do homem dessa família vão casando, mais andares ou divisões são construidas.

7. Encontrámos um figurante da série “A Guerra dos Tronos”

Abderrazak Ait Elkharraz. É este o nome do nosso guia durante a visita aos estúdios de cinema Atlas, em Quarzazate. Este marroquino, foi figurante no filme “Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo” e na série “A Guerra dos Tronos“, que filmou algumas das cenas nos estúdios de cinema Atlas e outras em diversas cidades marroquinas.

Se quer ver onde aparece o nosso guia sem ter de procurar nas oito temporadas, nós revelamos: Abderrazak Ait Elkharraz apareceu na temporada três, episódio cinco, como soldado do exército da rainha (spoiler alert: na vida real, ele não teve de cortar os mamilos).

Abderrazak Ait Elkharraz foi figurante na série "A Guerra dos Tronos"

8. O McDonald’s tem menus com ingredientes diferentes

Não é grande novidade, já que cada país tem um menu no McDonald’s dedicado à sua gastronomia: em Portugal temos as bifanas, em Berlim há tarte de cereja e nos países asiáticos, como em Singapura e na Coreia do Sul, há hambúrgueres de arroz.

Mas e o que há em Marrocos? Começando pelas carnes, estas são 100% halal, ou seja, correspondem a “todo o tipo de alimentos cujo consumo é permitido por Allah”, explica o Instituto Halal de Portugal, fazendo com que estejam sujeitos a determinadas regras de fabricação.

Além disso, para a cadeia de fast food entrar no país africano, foi estabelecido que as batatas servidas seriam apenas as locais, bem como outro tipo de produtos: “Construímos ao longo dos anos uma rede de produtores locais que hoje nos fornecem 50% de nossos alimentos: o pão, os legumes frescos, como a salada, o óleo, as bebidas quentes e frias, os laticínios e as embalagens”, refere o site do McDonald’s em Marrocos.

A comida aqui é mais apimentada, por isso, quem não lida bem com a comida picante, é melhor analisar bem as opções antes de escolher. Para sobremesa, pode escolher o novo sundae de manga ou o mcflurry com o chocolate Galaxy.

9. Os marroquinos começam o dia com uma tâmara

Ora, se formos a ver, a tâmara é um dos frutos secos com mais densidade calórica. O que é que isto quer dizer? Que com uma só tâmara os níveis de energia sobem e permitem começar o dia de forma mais ativa, sem ter de fazer uma refeição abundante.

Também são úteis na altura do Ramadão, período durante o qual a maioria dos muçulmanos faz jejum. Se aumentarem o consumo de tâmaras antes dos 30 dias em jejum, têm algum aporte calórico para aguentar os dias seguintes.

Este fruto seco também é muitas vezes dado às mulheres grávidas, pela sua riqueza nutricional.

Tâmaras do mercado local, em Rissani, província de Errachidia

10. O chá marroquino vai do copo para o bule, volta ao copo e não fica por aqui

Se visitar Marrocos é possível que veja esta prática. Os marroquinos servem o chá de menta com hortelã (o típico), afastando sempre o bule do copo, e depois de servirem o copo, voltam a colocar o chá no bule. O processo é repetido cerca de três vezes.

Ao início pode estranhar, mas esta prática tem uma razão: oxigenar o chá, de forma a realçar o sabor e o aroma.

Forma de servir o chá típico marroquino

11. As escolas da primeira classe são coloridas no exterior

Azul, rosa, amarelo, verde. Há um arco íris nas paredes exteriores dos estabelecimentos de ensino das crianças. Pode pensar que é meramente decorativo, e pode até ser uma das razões, mas não é a única.

Uma vez que muitas crianças percorrem quilómetros a pé até chegar à escola, esta é uma forma de a identificarem ao longe e de não se perderem.

As escolas marroquinas são coloridas no exterior

12. O significado do símbolo berbere

Existe uma bandeira ligada ao povo berbere, que representa o “homem livre”. Esta bandeira tem a letra Z do alfabeto Tifinagh e foi oficializada em 1998 pelo Congresso Mundial Amazigh.

Cada cor tem um significado diferente e corresponde a um aspeto da Tamazgha , as terras tradicionalmente habitadas por berberes em vários países do norte de África.

O azul representa então o Mediterrâneo e o Oceano Atlântico, o verde refere-se à natureza e às montanhas e o amarelo simboliza as areias do deserto do Saara. Quanto ao vermelho do símbolo Z, representa a vida e a resistência.

Símbolo berbere

13. A estrutura dos cemitérios

Em Marrocos, os cemitérios encontram-se no cimo de vários montes. Mas ao contrário do que acontece em Portugal, a maioria não tem qualquer delimitação de espaço.

As lápides estão juntas, mas não há uma barreira física que defina o espaço ocupado pelo cemitério naqueles locais.

14. A cor dos táxis não é sempre igual

Conforme as cidades, a cor do táxis também muda. Em várias cidades são bege, cor que não surpreende, em Casablanca são vermelhos, algo que já é mais incomum, mas a maior surpresa foi encontrar um táxi cor-de-rosa.

E porquê? Porque é esta a cor dos táxis que se encontram na cidade que vive das plantações de rosas: Kelaat M´Gouna. Aqui tudo é rosa. Além da cor dos táxis, as rotundas têm rosas, as lojas vendem artigos relacionados com rosas e acontece anualmente o Festival das Rosas, em maio.

A cor dos táxis difere de cidade para cidade

João Leitão

15. As referências sobre Portugal vão além de Cristiano Ronaldo

Em qualquer sítio que vamos começam a tentar adivinhar: “espanhol? francês? brasileiro?”. Ao que nós negamos todas as tentativas e finalmente dizemos “português”.

Ora, assim que um português refere o seu país, começam as referências para criar alguma ligação connosco. Normalmente, somos associados ao Cristiano Ronaldo (já lá vai o tempo em que falavam de Luís Figo), mas em Marrocos descobrimos um novo padrão: as batatas fritas.

Por alguma razão,somos lembrados pelas batatas fritas, e não só. A certa altura, em Quarzazate, vários marroquinos também associáram a Rádio Comercial à cultura portuguesa.

Recomendamos

A página está a demorar muito tempo.