“Novos tipos de compostos orgânicos, os ingredientes dos aminoácidos, foram detetados nas plumas que explodem na lua de Saturno, o Encélado. As descobertas são o resultado do aprofundamento contínuo dos dados da missão Cassini da NASA”, revela Tony Greicius no site da agência americana de exploração espacial.

A descoberta foi publicada esta quarta-feira, 2 de outubro, no site oficial da agência americana. Mas há mais detalhes: a moléculas, condensadas no vapor de água e nos grãos de gelo libertados no espaço, e estudados pela sonda Cassini, têm azoto e oxigénio, compostos idênticos àqueles que, na Terra, resultam em aminoácidos — constituintes básicos das proteínas e essenciais para a vida humana. 

Mas como se formam estas moléculas? Através de “poderosas fontes hidrotermais que expelem material do núcleo de Encélado, e que se misturam com a água do imenso oceano subterrâneo da lua”, explica Greicius na mesma publicação.

Se na Terra estas fontes hidrotermais presentes no fundo dos oceanos dão energia às reações na terra, os cientistas acreditam que as do satélite natural de Saturno podem funcionar da mesma forma, dando energia à produção de aminoácidos.

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“Ainda não sabemos se os aminoácidos são necessários para a vida além da Terra, mas encontrar nas moléculas essa forma de aminoácidos é uma peça importante do quebra-cabeças”, refere no site da NASA Nozair Khawaja, investigador e coordenador do estudo da Universidade Livre de Berlim.

Esta peça é mais um contributo para perceber se pode haver vida noutros locais do sistema solar e é um avanço na pesquisa que tinha sido iniciada há dois anos. Isto porque a nova descoberta é o resultado da missão Cassini-Huygens (um projeto da NASA, da Agência Espacial Europeia (ESA) e da Agência Espacial Italiana), que terminou em setembro de 2017.

Se a sonda Cassini estava a anos luz da Terra, o resultados da pesquisa também, e é por isso que só foram publicados a 2 de outubro na revista académica “Monthly Notices of the Royal Astronomical Society“.

“As semelhanças entre os ambientes hidrotérmicos no Encélado e na Terra, onde a vida pode ter-se desenvolvido sem luz solar, reforçam a importância de explorar ainda mais a habitabilidade do Encélado”, refere a conclusão do estudo.

Os investigadores encerram o relatório revelando que é essencial desenvolver uma missão espacial com um espetrómetro [instrumento ótico utilizado para medir as propriedades da luz] de massa de alta resolução de forma a “proporcionar uma grande melhoria na caracterização da qualidade química orgânica no Encélado”.

Para já, sabe-se que “o oceano de Encélado tem blocos reativos em abundância, e é outra luz verde na investigação da habitabilidade de Encélado”, acrescentou o co-autor do estudo Frank Postberg, de acordo com o site da NASA.