Turismo

Percorremos Marrocos em 5 dias e 3 pratos

A MAGG embarcou no fim de setembro para Marrocos. Fomos descobrir a cultura, o deserto e a gastronomia pelas mãos do chef Vitor Sobral.

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Nos mercados marroquinos não faltam especiarias e tâmaras de todos os tipos e ainda os famosos babouches (os sapatos típicos marroquinos)

Rafaela Simões

Nos mercados marroquinos não faltam especiarias e tâmaras de todos os tipos e ainda os famosos babouches (os sapatos típicos marroquinos)

Rafaela Simões

Uma cultura diferente, um calor que nem à sombra se combate e cheiros aos quais não estamos habituados: assim é Marrocos, o país muçulmano que ou se gosta ou se odeia. Isto porque nem todos se identificam com um tipo de turismo que envolve umas aranhas à porta do quarto, ou quem sabe, um escorpião.

Mas também é em Marrocos que encontra comida cheia de sabor e mercados onde se perde entre bugigangas e especiarias.

A MAGG comprovou isto e muito mais numa viagem gastronómica até este país. Fomos acompanhados pela TAP e pelo Turismo de Marrocos, mas não só. À mesa juntou-se a gastronomia marroquina pelas mãos do chef Vitor Sobral e na estrada, num percurso de vários quilómetros, tivemos a companhia de João Leitão, blogger de viagens e residente em Marrocos há 12 anos.

Para que possa descobrir este país connosco, vamos começar por lhe abrir o apetite, numa viagem que se divide entre entrada, prato principal e sobremesa.

Entrada

Uma sopa fria de melancia e tomate — para combater os quase 40.º C que se faziam sentir, mas esta sopa escondia muito mais do que estes dois ingredientes. Tinha alho e cebola escaldada, gengibre, azeite e flor de sal. Depois de servida, adicionava-se um toque final: uma mistura de azeitona, tâmaras e coentros. Foi assim que começou o jantar preparado pelo chef Vitor Sobral.

Todos estes ingredientes, e muitos outros, foram comprados pelo chef no mercado local, em Rissani, província de Errachidia. Rissani é a antiga Sijilmassa, que antigamente era um importante local de comércio para as rotas das caravanas trans-saarianas.

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Neste mesmo dia almoçámos num oásis no meio do deserto, em Tisserdmine, e nem o calor impediu que o típico chá de menta fosse servido. Ali mora a calma, a tapeçaria marroquina que pisámos para entrar no acampamento, e um calor que se combate pela vista 360.º C para o deserto.

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Prato principal

Ainda que a carne seja prato forte no paí, é possível ser vegetariano em Marrocos. O chef preparou cogumelos salteados e, para completar o prato, serve uma mistura de quiabos, batatas, courgette e amêndoas.

Mas não faltou também borrego, uma das carnes mais consumidas pelos marroquinos, que podia ser regada com um molho de beringela e acompanhada pelos cogumelos e a mistura de vegetais.

O estômago ficou contente, tal como os comerciantes do mercado que receberam o chef e venderam as melhores iguarias de Marrocos das suas bancas.

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Várias desses ingredientes encontravam-se nas hortas comunitárias — um projeto do Instituto Nacional pelo Desenvolvimento Humano — nas dunas de Erg Chebbi. Aqui havia plantações de salsa, coentros, pimentos padron e tâmaras.

Pela primeira vez o chef Vitor Sobral teve a oportunidade de comer uma tâmara retirada diretamente da árvore: “Tudo isto é uma experiência”, confessou no local.

As experiências continuaram e para quem gosta de explorar os antepassados, está no país certo, principalmente se percorrer a carreira dos fósseis, em Erfoud. Mas não ficamos por aqui.

Dia Mundial do Vegetarianismo. Como é ser vegetariano em viagem?

Não podíamos sair de Marrocos sem descobrir o deserto e confirmar que a areia tem mesmo um relevo rugoso e que este não é apenas um efeito produzido nos filmes de animação ou até nos reais. Num passeio de dromedário pelo deserto do Saara vimos como o deserto é imenso e como mesmo sem estradas, direções ou GPS, o guia da cáfila sabe por onde seguir.

Passeio pelo deserto do Saara

Quem também segue um longo caminho são aqueles que passam pelas Gargantas de Dadès, no Alto Atlas, mas ao contrário do guia da cáfila, estes podem perder-se devido à vista fenomenal durante a subida pela montanha que fica no vale superior do Rio Dades.

Ao fazer o percurso vai passar por uma paisagem rochosa, a que se chama “dedos do macaco”, e pela Kasbah (cidade islâmica). Mesmo aqui não vão faltar comerciantes que mostram os mais variados artigos — desde as bijuterias marroquinas, até aos frascos onde podemos guardar areia do deserto como recordação.

Subimos as gargantas até estar a 1801 metros de altitude e ter uma vista privilegiada sobre uma das paisagens mais bonitas do mundo.

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Sobremesa

Foi com chá verde e lúcia-lima que se fez a sobremesa. Mas além dos aromas frescos dos chás, o chef adicionou ao pudim um creme de cenoura, gengibre e água de flor de laranjeira. Um doce irreverente e repetido mais do que uma vez para repor as calorias perdidas com as aventuras no deserto.

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Igualmente doce foi o momento em que conhecemos o Dar Rita, o hotel de João Leitão e da irmã Rita Leitão — que dá nome ao alojamento. Fomos recebidos com música e comida típica: desde as sardinhas panadas, até à aletria marroquina cozida sem creme, montada em pirâmide e polvilhada com açúcar em pó e canela.

Provámos ainda a simpatia do povo marroquino, a hospitalidade e a alegria que se vive numa comunidade onde o significado de “vizinho” é o mesmo que conhecíamos há alguns anos.

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Da sobremesa, vamos para pipocas, para acompanhar a visita aos estúdios de cinema Atlas, em Quarzazate. Foi por aqui que passaram as gravações de filmes como o “Astérix e Obélix: Missão Cleópatra” e o “Gladiador“, e com isso já ficamos impressionados. Mais ainda ao saber que uma parte da série “A Guerra dos Tronos” foi gravada nos estúdios marroquinos, e noutras três localidades em Marrocos.

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Esta refeição com Marrocos servido à mesa termina com a visita ao Ksar Ait Ben — que é Património Mundial da UNESCO. O Ksar é, como explica João Leitão, uma aldeia fortificada que servia para “proteger as populações de intempéries, bandidos e de tribos nómadas que assaltavam os oásis depois das colheitas”.

Ksar Ait Ben, na província de Ouarzazate

Até lá chegar, passámos por um vale (que por esta altura do ano está completamente seco à espera dos tempos de chuva para encher o caudal), e subimos várias escadas.

Neste percurso, identificámos aquilo que é mais característico nos ksour (plural de ksar) marroquinos: são construídos em taipa e tijolos de argila e decorações geométricas.

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