O dia 26 de abril de 1986 vai ficar para sempre marcado pelo desastre que aconteceu na central nuclear de Chernobyl, no norte da Ucrânia. A memória não apagou o que aconteceu, e a série de cinco episódios lançados este ano pela HBO, relembrou ao pormenor cada minuto vivido na central nuclear na cidade de Pripyat.

A série tem suscitado tanta curiosidade entre os espetadores, que Chernobyl tem apostado progressivamente na receção a turistas. De tal forma que, segundo o jornal britânico “Mirror“, vai ser possível visitar a sala de controle do reator nuclear nº 4.

Foi este reator que explodiu e causou um dos piores desastres nucleares do mundo, provocando no momento várias mortes e feridos, e a hospitalização de 134 militares com síndrome aguda de radiação durante os dias e semanas seguintes.

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Mas mesmo aqueles que sobreviveram não saíram ilesos do efeito das radiações que se disseminaram por quilómetros, chegando mesmo até aos Alpes, cadeia montanhosa que ocupa vários países europeus. Dos 134 militares internados, 28 bombeiros e funcionários morreram em meses e, nos dez anos seguintes, registaram-se 14 mortes por cancro.

Apesar das radiações ainda estarem ativas, isso não impede que os turistas se desloquem até à região. Em 2011 a chamada “Zona de Exclusão”, a parte exterior do local, foi reaberta pela primeira vez (sob muitas regras e regulamentos rigorosos) para que pudesse ser visitada pelos turistas. Mas agora, as pessoas querem mais.

Os turistas querem ver o interior do local onde o teste de segurança — que combinou uma série de falhas, tanto provocadas pelos operadores, como pelo reator —, resultou numa reação descontrolada. A abertura ao público da sala de controlo faz parte de um projeto que pretende transformar Chernobyl numa atração turística oficial.

Para se protegerem, os visitantes vão precisar de vestir roupas de proteção e só podem entrar durante alguns minutos para evitar uma exposição excessiva à radiação. As regras são tão estritas, e quem não as cumprir corre o risco de pagar uma multa pesada ou mesmo pena de prisão. 

Da regulamentação faz ainda parte a proibição de trazer quaisquer objetivos da central nuclear, como brinquedos ou fotos antigas.